Cabeças de cão na Sicília
Ao longo de oito meses, durante este ano de 2010, o London Bureau for Investigative Journalism e o Financial Times conduziram uma investigação destinada a seguir o rasto do dinheiro oriundo de Bruxelas. Procurando saber mais sobre algumas das obras construídas com fundos comunitários, descobriram histórias interessantes ocorridas no sul de Itália e na Sicília, onde os velhos mecanismos mafiosos que se conhece de séries e filmes como “O Polvo” e a triologia “Padrinho” e livros como Gomorra são usados com toda a eficiência. A introdução a esta história vem em “EU-money to the mafia, the tobacco industry and multinationals?“. Vale a pena ler.
À ideologia islamita responde-se com direito
A proclamação de ideologia islamizante, i. e. que defende a instauração de um estado regido pela lei islâmica, é inconstitucional nos países europeus, porque viola princípios democráticos e sociais tidos como básicos à luz da tradição iluminista e constitucional da Europa Ocidental. À ideologia islamita responde-se com direito – não com ideologia.
Foi isso que o Ministério do Interior alemão fez hoje, em raides concertados destinados a actuar sobre grupos islamitas espalhados em vários locais da Alemanha. O New York Times explica: “The statement said the groups were suspected of opposing constitutional order by seeking to “overthrow it in favor of an Islamic theocracy.”
Terrorismo na UE: o próximo ataque está mais longe
O gabinete do Coordenador Europeu de Contra-Terrorismo publicou três documentos nas últimas semanas, destinados a fazer uma avaliação do estado em que se encontra a cooperação neste domínio no espaço da UE. O mais interessante dos três textos é o já habitual “discussion paper” que Gilles de Kerchove publica no fim de Novembro. Aqui, são identificados cinco desafios à implementação de uma estratégia europeia de luta contra o terrorismo: segurança nos transportes, viagens e circulação de terroristas, ciber-segurança, a dimensão externa desta estratégia e, por fim o combate à discriminação e à marginalização. Alguns destes surgem pela primeira vez num documento desta natureza, o que demonstra evolução no pensamento estratégico europeu.
Outro documento interessante refere-se às decisões tomadas em sede de Conselho quanto à questão da partilha de informações relativas a alterações dos níveis de alerta nos estados membros. Em 2 e 3 de Dezembro, em reunião do Conselho foi aprovado um conjunto de cinco medidas tendentes a acelerar a partilha de informações entre os estados membros e entre estes e as instituições europeias.
Ler estes documentos gera sempre a impressão de que não estamos preparados para o próximo atentado terrorista. Mas que país é que está? Que país está totalmente imune a esta ameaça? O que deve acontecer é aumentar-se as possibilidades de prevenção dos ataques e os sistemas de resposta em caso de tal se verificar. E, apesar de tudo o que se possa dizer, é isso que a UE tem vindo a fazer desde 2001. Quantos atentados sucederam em solo europeu desde os ataques em Londres, há mais de cinco anos?
Bill Miller, 1991
“Politics is show business for ugly people”.