Tratados

“1948”

1948Ainda está quase intacto na minha prateleira, mas Pacheco Pereira já o leu. Reproduzo a sua recensão, publicada no Abrupto. No fim pode comparar-se com o artigo publicado no Guardian e com a recensão – excelente – da New York Review of Books. “Nunca é tarde para aprender”, de facto.

Pacheco Pereira:

“A criação do estado de Israel é um dos resultados quase únicos no século XX de uma pura vontade política e de um movimento político, o sionismo, assente nessa vontade. Não haveria Israel se dependesse apenas da geopolítica, dos interesses das grandes potências, da realpolitik. Pelo contrário, embora os EUA fossem simpáticos para o novo estado, e a URSS permitisse algum apoio militar chegado na 25ª hora, a criação de Israel num processo duplo de guerra civil (que opunha judeus e palestinianos) seguido de um confronto militar com as potências árabes, em particular o Egipto, a Jordânia, o Líbano, o Iraque e voluntários e apoio saudita e iemenita, dependeu sempre dos judeus e da sua organização para-nacional, o Yishuv, e das suas organizações militares, como o Haganah. Contra tudo e contra todos, em particular contra os britânicos, aliados dos jordanos (a Legião Árabe na Transjordânia era a única força militar capaz que combateu contra o Haganah, dirigida por oficiais britânicos) e dos egípcios, e depois contra a ONU que sempre permitiu aos invasores militares de um estado que nascera sobre a sua égide aquilo que negava aos seus defensores e que várias vezes impediu Israel de obter vitórias significativas sob ameaça de intervenção militar… britânica.

O livro de Benny Morris é um excelente balanço desta guerra fundadora que permitiu a Israel existir, e apresenta o estado da arte na documentação sobre os aspectos do conflito que ainda hoje são controversos como a questão dos refugiados. Morris mostra como a “limpeza” das aldeias árabes dentro do território de Israel não foi deliberada no início e só se tornou inevitável devido a considerações militares, tornando-se depois numa política seguida sempre de forma hesitante, ao contrário do “expulsionismo” árabe que queria deitar os judeus ao mar. Igualmente se analisa o modo como os inimigos de Israel usaram a questão dos refugiados como arma política, recusando qualquer esforço de integração e condenando essas populações a uma situação de miséria em guetos suburbanos nos países limítrofes.

Mostra igualmente que os israelitas e palestinianos (menos os exércitos regulares árabes) cometeram vários massacres, mais os israelitas do que os palestinianos, mas como consequência do facto de as oportunidades serem maiores do lado judaico, devido ao facto de as ocupações de colonatos judeus pelos irregulares palestinianos terem sido escassas. Mostra igualmente como é que se evoluiu de uma guerra sem prisioneiros, (durante os dias finais do mandato britânico não podia haver campos de prisioneiros e as execuções eram comuns) conduzida por milícias, para uma guerra mais convencional em que a Convenção de Genebra passou a ser respeitada.

Morris acentua e bem a parte de jihad no conflito, a total e completa incapacidade do mundo islâmico em aceitar a existência de Israel, assente em considerações religiosas e históricas, que explica as enormes dificuldades que, mesmo os dirigentes árabes mais moderados (como o rei hashemita Abdullah, que acabou por ser assassinado o destino de todos os conciliadores como Sadat), tinham em lidar com a intransigência absoluta face à existência de Israel. A sua análise das duas culturas distintas, a do sionismo, pró-ocidental, com elementos de laicidade, um discurso próximo do socialismo europeu, e a pura incapacidade árabe de aceitar sequer uma negociação (o que comprometeu a posição árabe no plano diplomático face a um estado cuja existência era legal e reconhecida pela ONU), é fundamental para se perceber os dados actuais do conflito que, em muitos aspectos, continuam os de 1948.”

Recensão do Guardian:

“There was a time when revisionist historian Benny Morris was unemployable because of his supposed pro-Palestinian bias. Now he is a professor at Israel’s Ben-Gurion University, and last year this book won the National Jewish book award. What happened? In part, Morris and other New Historians reshaped Israelis’ understanding of their past. But Morris has changed, too, and today he is a disappointed liberal Zionist. In this impressive military history, written with admirable clarity, he remains sympathetic to the Palestinian Arabs expelled from their homeland, but adopts a harsher tone towards political Islam – what he calls “the jihadi impulse” underlying Arab hostility towards Jews and Zionism, a religious intolerance, signs of which he detects in 1948. The first Arab-Israeli war was not simply a nationalist war over territory but a war of religion, he now claims. Consequently, he is bleak about any possibility of reconciliation for as long as the Arab world remains unstable, oscillating “between culturally self-effacing westernisation and religious fundamentalism”

Ler aqui a recensão da NYRB.

Anúncios

Setembro 30, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

Yom Kippur em Telavive

MIDEAST ISRAEL YOM KIPPURÉ uma sensação muito estranha e agradável passear pelo centro das ruas sem carros de Telavive,  com pessoas a conversar nos cruzamentos e toda a gente a pé, de bicicleta, de patins, a preencher o espaço deixado livre de carros e motas. Tudo o que dá vida à cidade está rigorosamente fechado – lojas, cafés, restaurantes. E, nas ruas menos movimentadas, é de facto uma enorme sensação de paz e uma atmosfera única. O Yom Kippur, celebrado hoje, dez dias após o Ano Novo Judaico, é um momento de purificação, seja dos pecados, seja do que se quiser. Os judeus não comem nem bebem, e os mais ortodoxos não escrevem, não acendem luzes, não criam.

Por um lado, estas pausas, profundas quebras na agitação da cidade, mostram-nos que é possível parar por completo. Nem que seja por um dia (há vários dias assim ao longo do ano). E isso ajuda a relativizar muitas das nossas ansiedades, dando-lhes uma diferente espiritualidade. Mas ao mesmo tempo revela uma das muitas contradições de um país que vive sob padrões ocidentais mas onde a religião é transversal à sociedade. Um país onde não é possível apanhar um autocarro durante o sabbath (que vai do pôr-do-sol de sexta feira ao pôr-do-sol de sábado), e que assume como capital uma cidade – Jerusalém – onde metade dos homens que se vê nas ruas são religiosos profissionais, que sustentam as suas famílias com um salário pago pelo Estado para rezar e estudar os textos sagrados.

Israel tem 61 anos e cresceu assim, e por muita estranheza que, por vezes, desperte, irá continuar da mesma forma.

(Imagem: therecord.blogs.com)

Setembro 28, 2009 Posted by | 1 | , | Deixe um comentário

“Obama reúne-se em separado com Netanyahu e com Abbas”

Luís Costa Ribas há pouco, na SIC Notícias:

Obama não pode querer a paz mais do que os israelitas ou os palestinianos, e é isso que está a acontecer“.

Tal e qual. Quer dizer: poder, pode; não adianta é nada.

Setembro 23, 2009 Posted by | 1 | , | Deixe um comentário

De vez em quando lembram-se disto

seA Presidência sueca da UE veio hoje instar Israel e a Autoridade Palestiniana a “retomarem negociações, tendo em vista a criação de um Estado palestiniano viável, com base nas fronteiras de 1967, vivendo lado a lado em paz e segurança com Israel”. Além disso, e porque, pelos visto, “a UE permanece comprometida com a resolução do conflito”, vem solicitar a paragem imediata das actividades dos colonatos (criação, expansão, etc.), a continuação dos progressos palestinianos ao nível da segurança e da implementação do Estado de direito, e o cumprimento, por parte da comunidade internacional de doadores, dos compromissos assumidos anteriormente; encoraja ainda ambos os lados a tomar medidas que reforcem a confiança mútua. (Ler o comunicado aqui

A UE bate com a mão na mesa e pede tudo isto. Alguém a ouviu? De meio em meio ano, a mesma boa vontade. E que tal aprovar-se o Tratado de Lisboa, para ser sempre o mesmo a dar o murro na mesa, e não um diferente a cada seis meses?

Setembro 18, 2009 Posted by | 1 | , , , | 2 comentários

Ana Gomes, Bloco e a defesa

ana-gomesAna Gomes veio hoje defender que, caso o PS não consiga de maioria absoluta, deveria coligar-se à esquerda, com o Bloco. Tal arranjo dever-se-ia tanto à (suposta) compatibilidade de agendas entre os dois partidos como à impossibilidade de formar uma coligação à direita.

Eu sei que ninguém se interessa por questões relacionadas com a segurança e a defesa, muito menos os políticos em altura de eleições. Mas pergunto: tendo sido Ana Gomes uma eurodeputada extremamente empenhada em questões relacionadas com a política de defesa europeia, conhecedora da importância das alianças e da internacionalização das Forças Armadas portuguesas, não deveria ter passado os olhos pelo programa político do Bloco? É que lá encontraria defendida, na página 110, a retirada de Portugal da NATO, bem como das forças nacionais de todos os cenários de guerra. Encontraria igualmente a oposição à constituição de uma força armada europeia – algo que Ana Gomes tanto vem defendendo, e bem. Em que ficamos, então? Se até os políticos mais empenhados em temas de defesa os subalternizam desta forma, não se pode esperar nada mais de todos os outros.

Setembro 18, 2009 Posted by | 1 | , , | 2 comentários

Ainda Portugal e a Estratégia Europeia de Segurança

EuroDefenseNum post abaixo já havia feito referência aos contributos que think tanks e outros grupos de investigação podem trazer para o debate de questões estratégicas no âmbito da União Europeia. Aludo agora a uma reunião do Centro de Estudos EuroDefense Portugal, ocorrida em Maio, que teve como tema “Portugal e a Estratégia Europeia de Segurança – desafios e condicionantes“. Os temas debatidos, elencados abaixo, mapeiam um roteiro de investigação focado na UE mas que adopta uma abordagem em que as especificidades da realidade nacional estão presentes. Num período eleitoral em que as questões estratégicas e de defesa estão totalmente ausentes do debate partidário (ao contrário do que sucede com alguns temas de segurança), constata-se uma vez mais a necessidade de reforçar a massa crítica portuguesa. Por isso mesmo, todas as iniciativas como esta são importantes.  

 

Opções Estratégicas Europeias

– O papel da UE na renovação e eficácia da ordem multilateral;

–  Desafios da globalização, emergência de novos riscos e persistência, complexidade e interligação das ameaças – implicações para a segurança internacional;

–  Instrumentos, parcerias e políticas da UE na construção da estabilidade mundial;

–  A caminho de uma nova arquitectura de segurança euro-atlântica? Complementaridade com a NATO no quadro de uma nova parceria estratégica e no respeito da autonomia da tomada de decisão de cada Organização.

Segurança Europeia, Capacidades e Recursos

– Necessidade de optimização das capacidades europeias visando um novo Objectivo Global que substitua o HLG 2010? Implicações para o Ciclo Bienal de Planeamento de Forças e para os requisitos nacionais em termos de programas de reperfilamento;

–  Reforço das capacidades como condição indispensável para a eficácia da UE, no âmbito de uma parceria estratégica transatlântica renovada;

–  Desenvolvimento da capacidade de planeamento estratégico civil-militar para as operações e missões PESD e necessidade de reforço da coordenação das capacidades civis e militares.

Portugal e os contributos para um Sistema Estratégico Comum 

– Implicações da ratificação do Tratado de Lisboa na Estratégia Europeia de Segurança – desenvolvimentos e opções para Portugal;

–  O modelo de defesa colectiva e a cláusula de solidariedade – transparência e complementaridade com a NATO;

–  Cooperações estruturadas permanentes – que desenvolvimentos a nível nacional?

–  A visibilidade da UE e a importância dos media e da opinião pública em apoio das políticas e dos compromissos globais da UE.

Setembro 17, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

Durão outros cinco

Ora aqui está. Uma boa notícia para a Europa.

Durão Barroso reeleito presidente da Comissão Europeia por maioria absoluta 

Durão Barroso acabou de ser reeleito presidente da Comissão Europeia com 382 votos a favor, 219 contra e 117 abstenções.

O sentido do voto de cada um dos europarlamentares foi mantido secreto apesar de a votação ter sido feita com a utilização de meios electrónicos, que não permite verificar o número de deputados que fugiu à indicação feita por cada uma das famílias políticas europeias. Há cinco anos, quando foi eleito para o primeiro mandato, Durão Barroso tinha obtido 413 votos a favor, 251 contra e 44 abstenções.

O ex-primeiro-ministro português inicia agora a tarefa de formar a próxima equipa de comissários europeus que terá de passar por um novo escrutínio do Parlamento Europeu.

Ao conseguir 382 votos a favor, ultrapassou a barreira da maioria de 369 votos favoráveis (num total de 736 eurodeputados) a que estaria obrigado se o Tratado de Lisboa já estivesse em vigor.

Setembro 16, 2009 Posted by | 1 | | Deixe um comentário

Preferem SCUT ou portagem?

Nas próximas eleições europeias, já há uma pergunta essencial a fazer aos cabeças de lista: “que modelo de autoestrada defende para as vias de Marrocos?” Estranho?

Estranho é isto: “One in every four km of Moroccan roads built with EU funds

One in every four kilometres of road built in Morocco is built with EU funds, according to the latest Eurojar article published in the Lebanese daily L’Orient Le Jour, which focuses on EU-Morocco cooperation in the transport sector. Under the programme of support to the transport sector reform in Morocco, the EU supports projects in the areas of road transport, shipping and reform of the port system, as well as air transport. Its contribution to this sector amounted to €96 million between 2003 and 2008 in the form of non-refundable direct budgetary support.

É que, segundo consta, au Maroc, les transports sont boostés par l’Europe.

Setembro 15, 2009 Posted by | 1 | | Deixe um comentário

Durão durará mais cinco

Jose-Manuel-Barroso_1Senhor Charles Grant, eu gosto muito do seu programa – e do seu think tank. Enquanto especialista liberal em questões europeias, o que pensa da possiblidade da reeleição de Durão Barroso?

Why Barroso deserves another go

(…)

“Barroso is prepared to stick his neck out on the issues that he thinks matter, and in my view he has chosen the right priorities. First, he has focused on the “Lisbon agenda” of economic reform, which is about raising Europe’s long-term rate of growth. This sets targets in areas like getting more women and older people into the workforce, boosting R&D, extending broadband internet access, removing obstacles to the creation of new companies, and deregulating energy, telecoms and transport markets. Although many of the Lisbon targets require action from national governments, the EU has made good progress towards some of them.

Second, Barroso has driven forward the EU’s climate change agenda. He brokered the deal last December by which the 27 member-states committed to reducing carbon emissions by 20%, and obtaining 20% of their energy from renewable sources, by 2020. He battled hard to overcome the resistance of difficult governments such as those in Berlin, Madrid and Warsaw, and the final package, for all its compromises, gives the EU a credible position at the Copenhagen climate conference in December.

Third, Barroso has understood the strategic importance of energy security. Last January, when the gas dispute between Russia and Ukraine left much of Europe in the cold, he led the diplomacy that ultimately succeeded in pushing Moscow and Kiev to compromise. He has persuaded EU governments to put money and effort into the proposed Nabucco pipeline that would bring gas from the Caspian region and lessen Europe’s dependency on Russian gas.

One reason why so many people in France and Germany dislike Barroso is that they view him as a creature of the British. It is true that he is an Atlanticist and an economic liberal, who backs enlargement and avoids grand federalist projects. Not since Roy Jenkins has there been a commission president so in tune with British priorities. So it is ironic that columnists in two of Britain’s leading pro-European newspapers, the Financial Times and the Guardian, have been such vocal opponents of Barroso.

He is a more effective president than his two immediate predecessors, Romano Prodi and Jacques Santer. It helps that he is a skilled communicator in six languages. Of course, there are other people who could do the job very well. One of those is Pascal Lamy, a former commissioner and aide to Delors, who now heads the World Trade Organisation. Lamy tempers his commitment to European integration with a steely pragmatism and is very tough. But he is a socialist. Given that so few heads of government are centre-left, and given that the socialists were decimated in the European elections, Lamy has no chance of the job. The next president needs the approval of the European council and of the parliament, and of those who stand a credible chance of winning their support, Barroso is the most committed to the kind of openness that Europe needs.”

Setembro 11, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

Ainda o jornalismo de guerra

Li o relato interessantíssimo feito por Stephen Farrell, o jornalista do New York Times libertado após ter sido mantido em cativeiro 4 dias pelos taliban. É um texto relativamente longo e com algum detalhe, e que traz algumas ideias interesantes. Destaco estas duas passagens:

Once away from immediate pursuit, they transferred me to a waiting car and drove into the dusty back roads of Char Dara District at high speed. “Russian?” one asked me, a question that seemed so out of recent historical context that it made my heart sink.

As Day 2 passed into 3, amid a blur of different houses and days spent sleeping, hoping and worrying, the mood changed. It became harder for them to find safe houses. They would get lost down ever narrower and ever more obscure country lanes. We would arrive at a building late at night, bang on the gate and eventually be admitted — never knowing if the Taliban had just picked on a house at random and demanded entrance or arranged it in advance.

Mas, mais do que saber pormenores acerca do cativeiro, preocupa-me questionar a acção das tropas britãnicas, sobretudo a decisão de desencadear uma acção militar para resgatar dois jornalistas. Deverá ser esta uma prioridade das tropas? Para além de um outro repórter do NYT e, segundo outros relatos, de alguns taliban, morreu também um soldado britânico. Será que foi para o Afeganistão para morrer a salvar um jornalista que se expôs ao perigo de um rapto? Stephen Farrell disse que o local onde se realizou o rapto era seguro. Mas era o local onde a NATO tinha atacado na véspera, e, no mínimo, era previsível que os taliban quisessem capitalizar politicamente aquela acção, que tantos civis matou. Stephen Farrel já havia sido raptado – e salvo – no Iraque. 

O contributo dos repórteres de guerra para a compreensão dos conflitos não pode ser sequer questionado. E compreendo a dificuldade de, política e militarmente, decidir “abandonar” à sua sorte um civil raptado. Mas este caso não deixa de me causar perplexidade, até pela reincidência. Será o resgate de jornalistas uma prioridade militar? Ou estaremos antes perante uma inversão de prioridades? O texto termina com Farrell a contar como se apercebeu que um soldado britânico havia morrido na operação, quando a cabeça e o capacete deste se intrometeram entre uma bala e Farrell. E remata com este a dizer “I thanked everyone who was still alive to thank. It wasn’t, and never will be, enough.” Pois.

Setembro 10, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

Não há processo de paz

west-bank-israeli-_1000389cÉ muito simples: enquanto houver crescimento de colonatos na Cisjordânia, não há processo de paz. Porque o “processo” que existe nesse caso vai contra qualquer perspectiva de paz. Neste momento, nem a mão miraculosa de Obama vale de nada: não há processo de paz. No conflito israelo-palestiniano poucas coisas são tão simples de entender.

JERUSALEM (Reuters) – Israel approved on Monday the building of 450 settler homes in the occupied West Bank, a move opposed by its U.S. ally and Palestinians but which could pave the way for a construction moratorium sought by Washington.

A Defense Ministry list of the first such building permits since Prime Minister Benjamin Netanyahu took office in March showed the homes would be erected in areas Israel has said it intends to keep in a future peace deal with the Palestinians.

Palestinian chief negotiator Saeb Erekat said Israel’s decision further undermined any belief that it is a credible partner for peace.”

Ler o resto aqui. Foto: REUTERS. Colonato de Ofra, na Cisjordânia.

Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky-tacky,
Little boxes on the hillside,
Little boxes, all the same.
There’s a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they’re all made out of ticky-tacky
And they all look just the same

Setembro 7, 2009 Posted by | 1 | , , , , | 1 Comentário

Think tanks e a Estratégia Europeia de Segurança

EuropeanGeostrategyO blog European Geostrategy reúne num mesmo espaço jovens investigadores sobre política externa, de segurança e defesa europeia e especialistas de topo como Jolyon Howorth e Sven Biscop. Faz parte da rede Ideas on Europe, já referida atrás e, num dos seus posts, James Rogers analisa a importãncia do trabalho dos think tanks para a formulação de uma estratégia europeia de segurança. Em “Think tanks and European Security Strategy“, o doutorando de Cambridge defende que, desde os anos 1990, os think tanks têm tido um papel fundamental  na definição da identidade externa da UE, não tanto na elaboração de políticas concretas mas sim através de uma nova construção discursiva que se impôs no médio prazo. Esse novo discurso acerca da chamada “actorness” da UE desenvolveu-se nas suas publicações e, sobretudo, nos inúmeros fora realizados por essas instituições (e, numa segunda fase, pelas próprias instituições europeias), que criaram o hábito de reunir à mesma mesa académicos, decisores políticos e funcionários dos governos nacionais e das instituições de Bruxelas.

O argumento é interessante e subescrevo inteiramente. Não há dúvida que os think tanks influenciam – e numa polity como a UE, permeável às contribuições externas, essa realidade é ainda mais verdadeira. James Rogers prossegue depois com uma lista daqueles que considera terem sido os think tanks mais influentes neste domínio: a alemã Bertelsmann Stiftung, os britãnicos Centre for European Reform e Demos, o belga EGMONT Institute, e ainda o EU Institute for Security Studies e o European Council on Foreign Relations, o mais recente de todos. Também subescrevo, mas acrescento ainda o European Policy Centre e o International Institute for Security Studies

A nível nacional, o IEEI tem realizado, ao longo de 2009, um conjunto de reuniões em que se aborda justamente a questão da estratégia europeia de segurança. Os papers apresentados nas reuniões do Grupo de Reflexão sobre a Estratégia Europeia de Segurança: Que Contribuição Portuguesa? estão disponíveis online,  e apresentam também contributos interessantes. Recomendo “O que seria necessário para construir uma defesa europeia?“, de Carlos Gaspar, e, numa perspectiva focada igualmente em Portugal, “As ‘novas’ tarefas das Forças Armadas: lições de 20 anos de missões em zonas de crise“, de Alexandre Reis Rodrigues. 

Setembro 6, 2009 Posted by | 1 | , , | 1 Comentário

Ainda os pressupostos de Oslo

INSSQuem procura apenas uma visão equidistante e (pretensamente) independente do conflito israelo-palestiniano não lê as publicações do Institute for National Security Studies, da Universidade de Tel Aviv – isto apensar de ter sido considerado pela Foreign Policy um dos 5 think tanks mais influentes do Médio Oriente. Mas conhecer os argumentos de ambos os lados (ainda que expostos em separado) é importante para se poder formar o nosso próprio juízo.

Uma das suas últimas publicações, Oslo Revisited: Are the Fundamental Assumptions Still Valid?, apresenta, todavia, um conjunto plausível e honesto de explicações para não-aceitação, por parte da Autoridade Palestiniana, da proposta de paz feita pelo ex-Primeiro-Ministro Olmert. Por muitos considerada uma proposta aceitável (literalmente), baseava-se sobretudo na admissibilidade de uma soberania internacional sobre a Cidade Velha de Jerusalém (onde se encontram os locais sagrados do Cristianismo, do Judaísmo e do Islamismo), da transferência, para a Autoridade Palestiniana, de entre 95,3 a 95,7% dos territórios ocupados, e da criação de um canal de ligação entre a a Cisjordânia e Gaza. A proposta não admitia o direito de retorno – mas quem já esteve em Israel sabe que isso é literalmente impossível. Neste mesmo instituto foi-me dito que, nos momentos que requerem uma tomada de decisão pragmática e impopular, sucessivos líderes palestinianos recuam perante a vertigem da resolução do problema.

Cinicamente, oficiais israelitas disseram-me igualmente que, para as lideranças palestinianas, a resolução do processo de paz implicaria um abandono dos palestinianos à sua sorte, o término dos rios de dinheiro internacional e o consequente fim de uma certa mordomia. Isto não subscrevo. Neste momento, um Estado palestiniano é social e economicamente inviável – mas não pode deixar de ter a oportunidade de superar essa condição por imposição israelita.  

Setembro 2, 2009 Posted by | 1 | , , , , | Deixe um comentário

   

%d bloggers like this: