Tratados

Ainda o jornalismo de guerra

Li o relato interessantíssimo feito por Stephen Farrell, o jornalista do New York Times libertado após ter sido mantido em cativeiro 4 dias pelos taliban. É um texto relativamente longo e com algum detalhe, e que traz algumas ideias interesantes. Destaco estas duas passagens:

Once away from immediate pursuit, they transferred me to a waiting car and drove into the dusty back roads of Char Dara District at high speed. “Russian?” one asked me, a question that seemed so out of recent historical context that it made my heart sink.

As Day 2 passed into 3, amid a blur of different houses and days spent sleeping, hoping and worrying, the mood changed. It became harder for them to find safe houses. They would get lost down ever narrower and ever more obscure country lanes. We would arrive at a building late at night, bang on the gate and eventually be admitted — never knowing if the Taliban had just picked on a house at random and demanded entrance or arranged it in advance.

Mas, mais do que saber pormenores acerca do cativeiro, preocupa-me questionar a acção das tropas britãnicas, sobretudo a decisão de desencadear uma acção militar para resgatar dois jornalistas. Deverá ser esta uma prioridade das tropas? Para além de um outro repórter do NYT e, segundo outros relatos, de alguns taliban, morreu também um soldado britânico. Será que foi para o Afeganistão para morrer a salvar um jornalista que se expôs ao perigo de um rapto? Stephen Farrell disse que o local onde se realizou o rapto era seguro. Mas era o local onde a NATO tinha atacado na véspera, e, no mínimo, era previsível que os taliban quisessem capitalizar politicamente aquela acção, que tantos civis matou. Stephen Farrel já havia sido raptado – e salvo – no Iraque. 

O contributo dos repórteres de guerra para a compreensão dos conflitos não pode ser sequer questionado. E compreendo a dificuldade de, política e militarmente, decidir “abandonar” à sua sorte um civil raptado. Mas este caso não deixa de me causar perplexidade, até pela reincidência. Será o resgate de jornalistas uma prioridade militar? Ou estaremos antes perante uma inversão de prioridades? O texto termina com Farrell a contar como se apercebeu que um soldado britânico havia morrido na operação, quando a cabeça e o capacete deste se intrometeram entre uma bala e Farrell. E remata com este a dizer “I thanked everyone who was still alive to thank. It wasn’t, and never will be, enough.” Pois.

Setembro 10, 2009 - Posted by | 1 | , , ,

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