Tratados

Composição da nova Comissão

Ainda sem grandes análises, deixo aqui a proposta de composição da nova Comissão Barroso, que terá de ser aprovada pelo Parlamento até Janeiro. Destaque para Stefan Füle no pelouro do Alargamento e da Política de Vizinhança. Com a Croácia à porta.

Presidente: José Manuel Durão Barroso (Portugal)
 
Concorrência (e vice-presidente): Joaquín Almunia (Espanha)
Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão: László Andor (Hungria)
Alta Representante da UE para a Política Externa e Segurança (e primeira vice-presidente): Catherine Ashton (Reino Unido)
Mercado Interno e Serviços: Michel Barnier (França)
Agricultura e Desenvolvimento Rural: Dacial Ciolos (Roménia)
Saúde e Consumidores: John Dalli (Malta)
Assuntos Marítimos e Pescas: Maria Damanaki (Grécia)
Comércio: Karel de Gucht (Bélgica)
Alargamento e Política Europeia de Vizinhança: Stefan Füle (República Checa)
Política Regional: Johannes Hahn (Áustria)
Acção Climática: Connie Hedegaard (Dinamarca)
Investigação e Inovação: Maire Geoghegan-Quinn (Irlanda)
Cooperação Internacional, Ajuda Humanitária e Resposta a Crises: Rumiana Jeleva (Bulgária)
Transportes (e vice-presidente): Siim Kallas (Estónia)
Agenda Digital (e vice-presidente): Neelie Kroes (Holanda)
Orçamento e Programação Financeira: Janusz Lewandowski (Polónia)
Assuntos Internos: Cecilia Malmström (Suécia)
Energia: Günter Oettinger (Alemanha)
Desenvolvimento: Andris Piebalgs (Letónia)
Ambiente: Janez Potocnik (Eslovénia)
Justiça, Direitos Fundamentais e Cidadania (e vice-presidente): Viviane Reding (Luxemburgo)
Assuntos Económicos e Monetários: Olli Rehn (Finlândia)
Vice-presidente da Comissão para as Relações Inter-Institucionais e Administração: Maris Sefcovic (Eslováquia)
Fiscalidade e União Aduaneira, Auditorias e Anti-Fraude: Algirdas Semeta (Lituânia)
Indústria e Empreendedorismo (e vice-presidente): António Tajani (Itália)
Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude: Androulla Vassiliou (Chipre)

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Novembro 27, 2009 Posted by | 1 | , | Deixe um comentário

Realidade e ficção II

As origens do receio israelita relativo a actividade nuclear por parte da Síria remontam ao início do consulado de Bashar al-Assad, presidente sírio desde Julho de 2000. As notícias acerca de reuniões suas com delegações norte-coreanas de alto-nível, no entanto, e de acordo com a história do Der Spiegel, não terão levantado grandes preocupações até 2004, data em que a norte-americana National Security Agency detectou um enorme fluxo de comunicações entre Pyongyang e um ponto localizado no deserto sírio. Uma vez dado o alarme, seria tempo de Telavive actuar.

Aparentemente, Israel terá decidido consultar-se com os seus congéneres britânicos, justamente numa altura em que um oficial do Governo sírio, seguido pela Mossad desde há algum tempo, se alojava em Londres. Um descuido seu permitiu que fosse instalado no seu computador portátil uma aplicação informática que revelou plantas, mapas e sobretudo fotos do complexo de Al-Kibar (o tal ponto no deserto), que revelavam actividades nucleares.

Em 2007, Ali-Reza Asgari, antigo líder da Guarda Revolucionária Iraniana no Líbano, nos anos 80, e ex-Vice Ministro da Defesa Iraniano até 2005, corria risco de vida. Afastado do poder após a eleição de Ahmedinejad, tinha subido a retórica relativamente a alguns apoiantes do novo Presidente iraniano, acusando-os de corrupção, e tentava agora novamente refugiar-se no estrangeiro, após duas tentativas mal sucedidas, em 2006. E estava disposto a colaborar com a CIA e a Mossad. Entre muitas informações preciosas, terá dito que Teerão tinha um plano B: para além das instalações de Natanz, onde estavam a enriquecer urânio com conhecimento dos EUA e de Israel, estavam a financiar a construção de uma instalação na Síria, num projecto realizado em parceria com os norte-coreanos. Era a confirmação que faltava.

(continua)   

Novembro 26, 2009 Posted by | 1 | , , , , , | Deixe um comentário

Realidade e ficção

Em “Mossad: Os Segredos da Espionagem Israelita”, Victor Ostrovsky, ex-oficial do exército israelita e ex-agente da Mossad, conta com detalhes arrepiantes a teia criada pelos serviços secretos israelitas para recolher informações acerca do complexo nuclear iraquiano de Ozirak, perto de Bagdad. O enredo criado levou as investigações até Paris e as informações recolhidas junto de um cientista iraquiano, Butrus Eben Halim, permitiram localizar com total detalhe o complexo, e contribuiram para que a arriscada “Operação Esfinge”, executada em 7 de Junho de 1981, fosse bem sucedida. Aqui, a realidade supera a ficção em detalhe, imaginação e suspense.

Mas também se sabe que esta operação foi apenas uma das muitas acções secretas que Israel leva a cabo para prosseguir os seus objectivos estratégicos. No Expresso desta semana, Henrique Cymerman levanta o véu sobre o ataque israelita a um complexo nuclear sírio em 2007, do qual muito pouco se sabia para lá da especulação. Aparentemente, a instalação síria estava a ser financiada por Teerão para servir de reserva, para que um eventual ataque israelita ou norte-americano não comprometesse os avanços do programa nuclear iraniano.

(continua)  

Novembro 25, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

O perfil de Herman Van Rompuy

Mr Van Rompuy, from the centre-right political family, is a trained economist and has been running Belgium for less than a year. He writes Haiku (Japanese verse) and is known for his low-key style, which includes a line in self-deprecatory humour and caravan holidays.

He came to prominence after Germany and France a few weeks ago agreed between themselves to promote him. Several diplomats subsequently suggested that his short term in office stood to his advantage as he has had no time to make enemies among other EU leaders.

The presidency decision – nominating a person from a small country with no international profile – confirms the speculation of recent weeks that the majority of member states wanted to choose a person whose main role will be that of an internal fixer, rather than someone who can open doors in Washington and Moscow.

Mr Van Rompuy underlined his low-key approach by saying he intended to be “discreet” and that his personal opinions were “subordinate” to the council. Ler o resto no EUObserver.

Teresa de Sousa, no Público – (…) Tony Blair, que simbolizava a opção diametralmente oposta, com todos os seus defeitos, foi eliminado pelas suas qualidades. Rompuy, com todas as suas qualidades, foi escolhido graças aos seus defeitos. Não poderia haver uma figura mais apagada e sem história que a sua. O Conselho Europeu terá provavelmente um bom gestor da sua agenda, que se esforçará por gerar consensos. Não terá um político capaz de forçar decisões e apontar uma direcção.

A escolha do novo presidente do Conselho Europeu é o resultado da vontade de Merkel, da rendição de Sarkozy e dos fantasmas de muitos dos outros líderes. A chanceler sempre quis alguém que “se contentasse em organizar as reuniões.” Como sempre, não abriu o jogo até ao fim e acabou por impor a sua vontade. O Presidente francês teve, pelo menos, o mérito de ter defendido uma “figura forte”. Começou por Blair e chegou a propor Felipe González. Pagou o preço da sua recente conversão às virtualidades do eixo Paris-Berlim. Não foi por acaso que ontem o “Monde” escreveu: “A rejeição de Blair sela a unidade franco-alemã”. Contra o Reino Unido?

Bernardo Pires de Lima, no i, há dois dias – “Se a ideia era parar o trânsito sempre que o presidente do Conselho Europeu se deslocasse ao exterior, o nome de Van Rompuy não faz parar um caracol em Nova Deli ou uma bicicleta em Pequim. Se Blair era demasiado pesado – e demasiado atlantista – e Juncker demasiado oferecido, Rompuy é demasiado insignificante para quem sonhou alto com a cadeira deste cargo: à medida de um grande líder europeu.

Só que o Tratado de Lisboa não diz nada disto. Estabelece apenas funções de coordenação e “dinamização” dos trabalhos, nomeadamente com a Presidência da Comissão. Dá-lhe o papel de “facilitador” da coesão e dos consensos e exerce, sem prejuízo para as competências do Alto Representante para as Relações Externas, funções de “representação diplomática”. Por outras palavras, só um perfil político muito forte poderia mascarar a sua limitação executiva. Nesta perspectiva, Rompuy assenta que nem uma luva no lugar.(…)”

Novembro 20, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

O perfil de Cathy Ashton

Swift rise of Lady Ashton

 Lady Ashton has jumped to one of the most powerful jobs in Europe, as foreign affairs chief, a year after coming to Brussels as a little-known British politician.Her rise has been marked by a mixture of steady competence, low-key charm and luck. A life peer since 1999, she worked on education and constitutional issues before becoming the Labour party’s leader in the House of Lords.

In Brussels, her crowning achievement was the initialling of a free-trade deal with South Korea amid opposition from powerful European carmakers.

Ler o resto no Financial Times.

“She had been appointed as a peer in 1999 while on a secondment to the home office. It was not until June 2007, when Gordon Brown became prime minister, that she entered the cabinet as leader of the Lords.

This gave her a useful grounding for Brussels where commissioners have to achieve consensus. Labour leaders of the Lords have had to be conciliatory figures because, unlike their Conservative predecessors, they cannot rely on a majority in the upper house to push through legislation.

Her most notable success was in pushing through the ratification of the Lisbon treaty in the face of intense Tory opposition

Ashton has made her mark in Brussels, despite early criticism that she was too junior. The trade job in the European Commission is one of the biggest foreign policy jobs in Brussels and one of the few commission posts where the incumbent negotiates on Europe’s behalf with the rest of the world in trade talks. Ashton has won admiration for her competence, thoroughness, and likability.”

Ler o resto no Guardian.

Durão Barroso, à Reuters, sobre o famoso telefone: “Henry Kissinger, when he made that remark, was secretary of state. What we usually call foreign minister in Europe. So for now there is no doubt — the secretary of state of the United States should call Cathy Ashton because she is our foreign minister,” he said.

He said “the so-called Kissinger issue is now solved.”

 

Novembro 20, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

Netanyahu e o braço-de-ferro

Muito boa a análise de Alexandre Guerra à questão da construção de 900 novas casas em Jerusalém Oriental. Netenyahu demonstra que, diplomaticamente, irá fazer valer as suas pretensões, independentemente da vontade de Washington; e confirma-se que Obama terá de se empenhar ao mais alto nível para conseguir avançar nas negociações de paz. Como Akiva Eldar escreve hoje no Haaretz, Netanyahu parece pressentir a fraqueza de Obama em questões relacionadas com o processo de paz, e é isso que tem permitido levar tão longe o braço de ferro com Washington. Obama terá de se envolver pessoalmente no processo de paz com uma profundidade superior à demonstrada até agora – só assim voltará a colocar Washington com um ascendente sobre Israel. 

Novembro 18, 2009 Posted by | 1 | , , , , | 1 Comentário

As núvens perpétuas do conflito

O Haaretz online noticia hoje que, apesar da objecção dos Estados Unidos, Israel pretende contruir mais 900 casas nos territórias da Cisjordânia. Pode ser interessante que os EUA, agora, se manifestem contra a expansão dos colonatos – mas a verdade é que isso, na prática, ainda não vale de nada.

Por outro lado, a União Europeia veio demarcar-se de apoiar uma declaração unilateral de independência por parte da Autoridade Palestiniana. Carl Bildt, chefe da diplomacia sueca, presidência em exercício da UE, veio dizer que, do ponto de vista diplomático, as atenções da UE estão concentradas no apoio a Washington nas suas tentativas de retomar negociações com ambas as partes. É bom que a UE não repita o erro ocorrido no Kosovo.

Hoje também a UE veio mostrar-se extremamente preocupada com a situação humanitária em Gaza, chamando uma vez mais a atenção para a necessidade de criar condições para a reconstrução de estruturas e para a recuperação económica no território.

Os dias passam, os anos passam, e não se vê uma simples luz ao fundo do túnel.  

 

Foto tirada a uma pintura de parede em Acre.

Novembro 17, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

E há inúmeros exemplos a comprová-lo

The problems western powers have faced since the early 1990s have not been about the reconstruction of states, but have been more acutely focussed on how to destroy states in a way that facilitates their reconstruction.

Put more simply, where is the doctrine and thinking about state destruction?

Ler o resto em Kings of War, o blog de alunos do War College do King’s College.

Novembro 16, 2009 Posted by | 1 | Deixe um comentário

No terrorismo, o tamanho conta II

Raphael Cohen-Almagor, da Universidade de Hull, ainda na mesma conferência:

“Se houver um atentado em Israel e morrerem duas pessoas, o Governo pode não reagir e apenas elevar o nível da retórica. Mas se morrerem 20, haverá uma resposta, de certeza absoluta. É a política dos números”.

Size matters.

Novembro 2, 2009 Posted by | 1 | , | Deixe um comentário

No terrorismo, o tamanho conta I

Na Conferência referida no post anterior, Ken Booth, da Universidade de Aberystwith, excelente, deixou esta ideia acerca da nova fase no terrorismo internacional, e da importância dos números:

Dizer que é mais provável morrer de acidente de carro do que num atentado terrrorista é estar muito longe de perceber a importância da ameaça terrorista e, portanto, de encontrar uma solução para a combater. Para se perceber a importância deste fenómeno, importa não olhar apenas para as possibilidades matemáticas de se morrer num ataque terrorista, mas sobretudo para a dimensão das reacções subsequentes, o contexto e o significado das mortes. Dizer que morreram “apenas” 3000 pessoas nos atentados de 11 de Setembro é tão desadequado e longe da essência da verdade como dizer que “apenas” morreram 2 pessoas no dia 28 de Junho de 1914. Ainda hoje morrem pessoas, todos os dias, por causa dos atentados de 11 de Setembro.

Tal e qual. Não obstante a quantidade de textos publicados sobre terrorismo, as verdadeiras perguntas continuam ainda longe de ser colocadas. E ainda mais longe de serem respondidas.

Novembro 2, 2009 Posted by | 1 | | Deixe um comentário

   

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