Tratados

CIA pelos ares no Afeganistão

No decurso de um conflito internacional, para além das baixas dos civis e dos militares, há as mortes dos agentes secretos, dos operacionais das organizações de espionagem que jogam em tabuleiros paralelos, mais longe dos holofotes mas mais perto das decisões. Muitas vezes, é neste jogo que as guerras se ganham ou se perdem. No caso da guerra do Afeganistão, entre Novembro de 2001 e Outubro de 2003, morreram pelo menos quatro agentes da CIA: na perseguição a terroristas, em revoltas de prisioneiros taliban, em exercícios.

Ontem, na base da CIA em Khost, foram oito os norte-americanos mortos por um bombista suicida. O ataque foi reivindicado por um porta-voz dos taliban, que referiu tratar-se de um acto perpetrado por um agente do Exército Nacional Afegão. Duro revés para as forças americanas. Como referiu Bruce Hoffman, “every American death in a theater of war is tragic, but these might be more consequential given these officers’ unique capabilities and attributes.” Pode ser que nunca se venha a saber quais as consequências deste revés, quais as acções abortadas ou definitavemente comprometidas. Ou isso ou esperar por um segundo volume, outras 800 páginas.

 

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Dezembro 31, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

Esta casa também

This house believes that Europeans would be better off with fewer holidays and higher incomes” – Economist, debate acerca da quantidade de férias gozadas pelos europeus. Para ler durante as férias.

Dezembro 24, 2009 Posted by | 1 | | Deixe um comentário

Guerras frias

Ainda não há muitos anos (uns seis ou sete) havia nas universidades portuguesas quem ainda falasse em mundo bi-polar, com dois blocos regionais, já bem depois do fim da União Soviética. Sempre houve e sempre haverá quem não consiga  acompanhar as mudanças. Mas acho que nem esses resistiriam à notícia de ontem, segundo a qual a NATO pediu à Rússia o envio de apoio aéreo (helicópteros) para o Afeganistão. E, no seguimento do que já havia sido acordado antes, parece que Medvedev aceitou, e que a força da NATO no Afeganistão contará com ajuda de Moscovo. E agora, já parece que a Guerra Fria já acabou mesmo, não? O que é preciso mais?

Dezembro 17, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

O verdadeiro perfil de Cathy Ashton

Quando se analisa o percurso de alguém no sentido de encontrar motivos que justifiquem a sua escolha para determinado cargo, as informações disponíveis nem sempre são as mais rigorosas. Ou seja: nem sempre se sabe tudo o que justificou determinada escolha.

Tudo o que escrevi e transcrevi sobre Cathy Ashton é verdade. Mas o que é ainda mais verdade é que Gordon Brown exigiu que o cargo de Alto-Representante para a Política Externa e de Segurança fosse para Londres, como trade-off pelo facto de ter prescindido da realização do referendo no Reino Unido, com todos os custos políticos que tal decisão comporta para um político como Gordon Brown. Este rótulo ficar-lhe-á aposto e permanecerá à disposição das críticas da direita britãnica. Uma vez que tinha de se encontrar uma mulher – já que o Presidente do Conselho era um homem (politicamente correcto oblige) – quem poderia ser? E que tal Cathy Ashton, a grande responsável pelo facto de a Câmara dos Lordes ter viabilizado o Tratado de Lisboa?

Dezembro 14, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

“Os senhores vierem até aqui porque nós dissemos que podiam mas agora não vão poder entrar”

Uma delegação de nove eurodeputados (de vários partidos e nacionalidades) que integram a delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Conselho Legislativo Palestiniano foi anteontem proibida de entrar em Gaza pelo governo israelita, umas três horas após este ter-lhes concedido autorização para entrar. Motivo? O de sempre: questões de segurança. Dá-se é a coincidência de neste espaço de três horas, lá longe, em Bruxelas, os Ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, reunidos em Conselho, terem defendido – uma vez mais – o estabelecimento de um Estado palestiniano nas fronteiras de 1967 e o fim da expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia – incluindo, naturalmente, Jerusalém Oriental (ver aqui as conclusões do Conselho). Imaginar a postura do governo israelita a tomar esta decisão, perfeitamente indiferente aos europeus, tentar visualizar a cena em que um representante do governo israelita vem dizer à delegação que, afinal, vieram de Bruxelas a pensar que iam entrar em Gaza mas já não iam entrar, é um esforço necessário para começar a tentar compreender a psique dos governantes israelitas. É uma cena típica de mais.  

Foto retirada de panoramio.com.

Dezembro 10, 2009 Posted by | 1 | , , , , | 1 Comentário

Segurança e Defesa no Tratado de Lisboa e Portugal

Entre os vários vectores da nova Política Comum de Segurança e Defesa (não obstante o novo nome, desconfio que “PESD”/”ESDP” irá manter-se…), há um que poderá levantar algumas questões relativas ao papel de Portugal: deverá Portugal integrar uma “Cooperação Estruturada Permanente” no domínio da defesa? Deverá Portugal avançar no pelotão da frente, à imagem do que fez com o Euro e com o Espaço Schengen?

Sim, claro. Portugal integra estas políticas porque só assim consegue manter a sua capacidade de influência, de influenciar e moldar decisões no sentido dos seus interesses e do seu pensamento e objectivos estratégicos. É por isso que Portugal participa nas missões internacionais. É por isso que tenta estar em cargos importantes em Bruxelas. É por isso que tenta exercer as Presidências de forma capaz (já agora: tenta – e consegue).

É que, hoje em dia, é essa a medida do poder de Portugal.

Dezembro 9, 2009 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

Minaretes II

Costuma dizer-se que em Portugal, país de brandos costumes e de muçulmanos a condizer, os níveis de integração são bastante positivos. Mas, quem são esses muçulmanos? De onde vêm, há quanto tempo tempo cá estão? Como se integram socialmente? Até que ponto a proveniência de muitos destes muçulmanos condiciona – positivamente – a sua integração?

Nina Clara Tiesler, investigadora do Instituto de Ciências Sociais, é a grande especialista neste tema. No descritivo de um dos projectos que coordena neste Instituto da Universidade de Lisboa, intitulado “Jovens Muçulmanos em Portugal. Religião e Cultura, Mobilidade e Cidadania“, traça uma breve caracterização social deste grupo. 

“A presença muçulmana no Portugal contemporâneo é um fenómeno pós-colonial. À semelhança de outros antigos impérios europeus, em Portugal, a primeira vaga de imigração muculmana ocorreu antes da descolonização e por própositos educacionais – no nosso caso de Moçambique: estudantes solteiros do sexo masculino oriundos de famílias sunitas de origem indiana. A partir do final dos anos 50, quando estes estudantes se inscreveram nas faculdades de direito, economia e medicina lisboenses, até hoje, quando centenas de bangladeshis se encontram quotidianamente na praça central do Martim Moniz, a população muçulmana em Portugal tem aumentado progressivamente.

A vasta maioria dos cerca de 30-40.000 muçulmanos hoje residentes em Portugal são sunitas que, de algum modo, são parte da Comunidade Islâmica de Lisboa, CIL. Embora a CIL seja uma entidade de referência, actuando como um representante tanto formal quanto informal dos sunitas muçulmanos, a vida da comunidade islâmica em Portugal dificilmente poderá ser entendida como unitária. Devido aos constantes fluxos de migrantes, originários de um número crescente de países e culturas, bem como aos surpreendentes processos de construção e institucionalização comunitária, os muçulmanos em Portugal constituem um fenómeno cada vez mais diverso e dinâmico. Todavia, a integração na sociedade portuguesa, a experiência da migração, a vivência enquanto minoria religiosa (e étnica) numa sociedade europeia e numa comunidade islâmica cultural e etnolinguísticamente diversa, afectam tradições culturais e originam não só auto-percepções fluidas como também novos conceitos de espaço, ‘casa’, e pertença. Tais mudanças e percepções são largamente dependentes do estatuto legal (temporário, residência ou cidadania), do acesso ao sistema educacional e ao mercado de trabalho, e também do capital social. Dependem, em suma, da oportunidade de fazer uso da participação política e da mobilidade social. Pertença à comunidade e participação em associações (quer primariamente islâmicas quer não) parecem desempenhar um papel importante nestes processos, o qual carece de um exame mais aprofundado.”

Para aprofundar este tema, pode ver-se a publicação da mesma autora e de David Cairns, “Little Difference? Young Muslims in the Context of Portuguese Youth“. Sendo de 2006, mantém todavia toda a actualidade e pertinência. A imagem da Mesquita de Lisboa foi retirada do site da Comunidade Islâmica de Lisboa

 

Dezembro 5, 2009 Posted by | 1 | | 3 comentários

Minaretes

“És árabe, és preto, não prestas.”

“Nós temos de andar à guerra porque eu sou cristão e tu és árabe.”

Estas pérolas foram proferidas em duas escolas de Lisboa, em direcção a crianças de 5 e 7 anos, e vêm reproduzidas no Expresso de hoje. Tudo bem que os muçulmanos em Portugal apresentem níveis de integração superiores aos verificados em grande parte dos países europeus. Mas convém ter presente que existem casos de islamofobia aqui.

Dezembro 5, 2009 Posted by | 1 | , | 3 comentários

   

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