Tratados

Geografia da expansão dos colonatos

No passado mês de Novembro, a Foundation for the Middle East – uma das instituições cujas publicações estão na lista de leituras obrigatórias – publicou um mapa com os planos de expansão dos colonatos israelitas até 2015 e 2020, que prevêm a construção de 14.123 casas em território palestiniano, próximo da fronteira com Israel. Não tenho números acerca da média de elementos por agregado familiar nos colonatos, mas sei, por experiência própria, que a densidade populacional (judaica) nos colonatos é bem superior à do restante território israelita, uma vez que muitos colonos vestem a pele de pioneiros missionários para os quais a demografia é uma arma. Com isto quero dizer que estas casas corresponderão a pelo menos 50.000 novos colonos israelitas nos territórios da Palestina.

Trago agora este mapa a este espaço uma vez que ali, em Novembro, estavam já previstas as 1600 novas habitações de Ramat Shlomo, aquelas cuja construção aparentemente esteve no início da tensão israelo-americana. Faço esta nuance porque os anúncios de expansão dos colonatos são usuais desde que Netanyahu chegou ao poder e terminou com a hipocrisia do anterior Governo, que clamava que havia congelamento dos colonatos e depois era ver as máquinas a trabalhar sem parar. Reitero o que disse no post anterior acerca deste tema: a Administração Obama assume agora uma nova linha de ruptura com Netanyahu porque decidiu estrategicamente elevar a retórica, e não porque se sentiu especialmente insultada pelo anúncio de expansão de colonatos – expansão esta que, como se vê, estava prevista desde há vários meses.

Na parte direita do mapa vê-se o colonato de Ma’ale Adumim. Este é um dos destinos obrigatórios das visitas que organizações israelitas de direitos humanos promovem destinadas a jornalistas e diplomatas estrangeiros, e que os leva a visitar a geografia da expansão dos colonatos. Visitei Ma’ale Adumim e vi uma cidade de 50 000 pessoas, com escolas, quartéis de bombeiros, shoppings, cinemas, piscinas, e jardins verdejantes rodeados de terra árida. Olha-se para fora do colonato e vê-se uma paisagem quase lunar, com terra seca, montes, e mais nada. Quem acha que os colonatos serão desmantelados mais cedo ou mais tarde numa solução definitiva nunca viu Ma’ale Adumim.

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Março 22, 2010 Posted by | 1 | , , , , , | Deixe um comentário

Guia para leituras sobre a União Europeia

Como já várias vezes foi referido neste espaço, a Foreign Affairs publica regularmente guias de leitura sobre vários assuntos, do Médio Oriente às relações transatlânticas. Neste último número, saído a 9 de Março, Kathleen R. Macnamara, directora do Mortara Center for International Studies da Universidade de Georgetown, apresenta uma pequena lista de alguns dos títulos essenciais acerca da UE, desde o fundamental “The Uniting of Europe: Political, Social and Economic Forces“, the Ernst B. Haas, publicado na década de 50, até ao neo-clássico “What’s Wrong with the European Union and How to Fix it“, de Simon Hix.

É impossível fazer uma lista completa de leituras sobre a UE só com 8 entradas, e as minhas oito, para além de Haas e Hix, teriam sempre de incluir Weiler, Schmiter, Duchêne, Joergensen, Zielonka e Smith (a Karen e o Michael E.); tudo depende da perspectiva e dos temas dos assuntos europeus que mais se valorize. Mas esta lista pode ser um bom começo.

Março 22, 2010 Posted by | 1 | , | Deixe um comentário

   

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