Tratados

Tymochenko, ou Bruxelas vs Moscovo

Para os analistas de política internacional nunca falta trabalho. Nunca faltam acontecimentos importantes, simbólicos, com capacidade para moldar o futuro. Por estes dias, há a crise política na Tailândia, a polémica em torno do processo a Baltazar Garzón, as eleições na Grã-Bretanha e as de Novembro, nos Estados Unidos, a onda de criminalidade no México, e por aí fora. Mas de tudo o que tem sido notícia recentemente o que mais impressiona é a crise política e a violência na Ucrânia, no Parlamento e fora dele, por surgir em sequência de claras manifestações de pro-moscovismo do Presidente Yanukovich. O ódio e a violência de actos e palavras demonstram que, na Ucrânia, a História ainda não está resolvida e que a memória de décadas recentes ainda está presente. Mas mostra também, no fundo, a luta fraticida e fracturante em torno de uma opção estratégica por uma cidade: ou Moscovo ou Bruxelas. E é Yulia Tymochenko quem está certa – e já o está pelo menos desde Maio – Junho de 2007, quando publicou na Foreign Affairs um artigo intitulado “Containing Russia“:

Russia’s imperial ambitions did not end with the fall of the Soviet Union. The Kremlin has returned to expansionism, trying to recapture great-power status at the expense of its neighbors, warns one of Ukraine’s most prominent politicians. The United States and Europe must counter with a strong response — one that keeps Russia in check without sparking a new Cold War.

“(…) I do not believe that a new Cold War is under way or likely. Nevertheless, because Russia has indeed transformed itself since Putin became president in 2000, the problem of fitting Russia into the world’s diplomatic and economic structures (particularly when it comes to markets for energy) raises profound questions. Those questions are all the more vexing because Russia is usually judged on the basis of speculation about its intentions rather than on the basis of its actions.(…)”

Abril 29, 2010 - Posted by | Sem categorias | ,

2 comentários »

  1. Bem analisado. Eu sempre disse no meu blogue que a promessa do actual presidente de se virar para a Europa sem esquecer a Rússia não podia resultar. Quis agradar a gregos e troianos e o resultado foi o que se viu…

    Comentar por André Matos | Abril 29, 2010 | Responder

  2. Há determinados sítios onde as opções têm de ser claras, porque é impossível jogar em ambos os lados do tabuleiro. Alguns dos exemplos mais paradigmáticos disto estão do lado de lá da antiga “cortina de ferro”. A Ucrânia têm de decidir-se…

    Comentar por Bruno Oliveira Martins | Abril 29, 2010 | Responder


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