Tratados

Ricardo Rodrigues: para memória futura

Sendo este espaço dedicado a política internacional, opto por não comentar questões de política interna. Quando me senti tentado a tal, recuei para não me desviar do que aqui é essencial. Os recuos terminam hoje, porque o clima está insuportável demais para se ignorar.

Quando um deputado se compromete a dar uma entrevista e depois apreende os gravadores porque não gostou da forma como esta decorreu, os princípios sobre as quais as democracias ocidentais se ergueram estão em causa. Não é só a liberdade ou, em última instância, a democracia; é o próprio respeito pelo estado de direito, porque quem faz isto não acredita na forma legal de resolver os diferendos. A claustrofobia democrática existe: quem conhece o modus operandi das instituições que operam para lá da lei sabe que nem sempre é preciso actuar de facto para exercer pressão. À escala, é isso que hoje que acontece em Portugal, e só não vê quem não quer ver.

Já há uns meses que penso que há hoje, a nível social, económico e político, um cenário que seria impensável há uns anos atrás. Não vivi na ditadura, não me lembro da crise do princípio dos anos 80. A minha geração é da pós-adesão à UE, e tem a confiança e a internacionalização de mentes que isso nos trouxe. Mas será que ainda as tem? Acho que não.

Maio 6, 2010 - Posted by | Sem categorias

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