Tratados

Cathy Ashton novamente em Israel e nos territórios palestinianos

EPA - European Pressphoto Agency

Cathy Ashton está novamente em Israel e nos territórios palestinianos, pela segunda vez desde que assumiu o cargo de Alta-Representante para a política externa e de segurança da UE. Volvidos quatro meses desde a visita anterior, o discurso-base mantém-se, ainda que com um novo ímpeto causado pelo ataque de Israel à flotilha ao largo de Gaza, em 31 de Maio (ler aqui “Os Alertas Turcos, de Bernardo Pires de Lima“): é necessário terminar com o bloqueio a Gaza, dando oportunidade à economia palestiniana de crescer e de se autonomizar; é preciso fazer com que o processo de paz seja retomado; é necessário libertar Gilad Shalit, soldado israelita em cativeiro desde 25 de Junho de 2006.

Esta segunda visita é mais uma ilustração do alto posicionamento do conflito israelo-palestiniano no ranking de prioridades da acção externa da UE. Os montantes envolvidos na ajuda ao desenvolvimento canalizados para Gaza desde Bruxelas são extensos, e tal é reconhecido pelas autoridades de Gaza, Ramallah e Telavive; mas o sucesso diplomático europeu nesta questão será apurado tendo em vista outros factores. Não é por transferir mais dinheiro que Bruxelas vê a sua voz ser mais ouvida na mesa das negociações; Cathy Ashton e a sua equipa parecem ter percebido que o empenho na resolução deste conflito requer o comprometimento com acções mais ousadas e com tomadas de posição mais exigentes. Ir ao Médio Oriente não chega, mas ajuda.

Enquanto isto, noutro tabuleiro diplomático das relações UE-Israel, continua a jogar-se o jogo das consequências políticas decorrentes do uso de passaportes de cidadãos europeus pela Mossad. Na semana passada surgiu a notícia de que Dublin se opunha à assinatura de um acordo entre a UE e Israel quanto à partilha de dados pessoais de cidadãos europeus, uma iniciativa da Comissão Europeia que visava estreitar a troca de informações com Telavive. As preocupações irlandesas surgem após a suspeita de que a agência secreta israelita usou oito passaportes irlandeses falsos na acção em que matou no Dubai o dirigente do Hamas Mahmoud al-Mahbouh. Estas consequências arrastam-se desde há muitos meses, mas suspeito que não ficarão por aqui.

Ver também no Guardian: “Chris Patten urges bolder EU approach over Middle East conflict“, no EUObserver “Ashton calls on Israel to open border crossing to Gaza” e no Haaretz, com um foco diferente, EU foreign policy chief visits Shalit family, urges Hamas to free captive IDF soldier.

Julho 19, 2010 - Posted by | Sem categorias | , , , ,

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: