Tratados

Limpar o pó das universidades portuguesas

Soube-se agora que o curso de Relações Internacionais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto é dos cursos do ensino superior cuja média de entrada é mais alta. Mais de 17 valores. No entanto, os seus professores não são licenciados nem mestres nem doutorados em Ciência Política/Relações Internacionais. Vêm recrutados de outros departamentos da FLUP ou mesmo de outras faculdades da UP, porque os seus horários têm de ser preenchidos de qualquer forma. Bons alunos, maus professores. E mau ensino.

Isto só é possível  por causa do clássico establishment académico nacional, que permite que alguns professores se arrastem nas universidades eternamente, sem prestarem provas, sem trabalharem, sem terem aulas para dar. Alguns rastejam anos e anos e anos (oito, dez) para concluir o doutoramento, outros nunca o farão. São esses professores que enchem as vagas que impedem que uma nova geração chegue ao sítio onde já deveria estar; o sítio onde estaria se estivesse num outro país. Por muitos defeitos que o sistema de Bolonha tenha, pelos menos terá o mérito de contribuir para mudar o status quo. É preciso limpar o pó das universidades portuguesas, e varrê-lo para bem longe.

Setembro 14, 2010 - Posted by | Sem categorias |

5 comentários »

  1. O estado em que está a nossa educação é o espelho da nossa sociedade! Como é que se pode continuar a “deitar” cá para fora pessoas com cursos que não vão servir para nada! Onde o desemprego é a primeira porta que eles vão ter à frente!
    O caso que apresentas deveria ser divulgado mas os media não se interessam! Isso não dá audiência! O que dá audiência é o caso Queirós, o caso Casa Pia, o Caso Freport! Casos gravissimos mas que se formos bem ao fundo, são uma pequena agulha no meio de toda a palha que por aí existe!

    Comentar por Paulo Simoes | Setembro 14, 2010 | Responder

  2. O curso de RI da FLUP subiu repentinamente a média no ano lectivo de 2006/2007 pela entrada de 20 alunos com médias bastante elevadas e a partir de então tem-se mantido assim. No entanto, de facto, os constrangimentos no financiamento desta faculdade (que tem vindo a despedir professores todos os anos), proíbem que possa usar-se outros profissionais que não os da casa – claramente com lacunas graves em termos de uma formação que não é, de todo, a sua. Eu fiz lá a minha licenciatura e tenho, por isso, conhecimento de causa. Com raras excepções, os professores estão, por esse motivo, fora da sua área de competência e o curso apresenta ele mesmo algumas lacunas. A minha única esperança é a de que um dia essa situação possa mudar com um maior financiamento ao único curso de RI numa universidade pública no Porto.

    Comentar por André Matos | Setembro 14, 2010 | Responder

    • André,
      Obrigado pelo comentário. Eu sei que a situação é assim por relatos de pessoas próximas que estudaram lá, e que tinham aulas, noutras matérias, com professores que se queixavam do esforço que tinham de fazer para se preparar para as aulas que iriam leccionar. Mas também o sei porque tal me foi dito pessoalmente pelo Prof. John Greenwich. Disse-me que os alunos são muito bons e interessados, mas que não consegue fazer alterações de fundo ao nível dos recursos humanos. A minha crítica não vai para a FLUP – que, como sabes, já tenho elogiado – mas sim para um sistema que permite que esta situação ridícula se passe na maior Universidade do país, no único curso de RI numa universidade pública da segunda maior cidade do país.

      Comentar por Bruno Oliveira Martins | Setembro 14, 2010 | Responder

      • Obrigado pela resposta, Bruno. Sim, eu concordo contigo; é realmente lamentável. A única coisa que podemos fazer é desejar que a situação se altere, porque vários alunos estão a ser prejudicados por isto… O meu sonho era ver um bom curso de RI aqui no Porto. Pode ser que um dia…

        Comentar por André Matos | Setembro 14, 2010

  3. […] mais: Limpar o pó das universidades portuguesas Esta entrada foi publicada em Academia e marcada com a tag limpar, portuguesas, universidades. […]

    Pingback por Limpar o pó das universidades portuguesas | DicasON | Maio 20, 2011 | Responder


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