Tratados

Vamos fazer o que ainda não foi feito

Por coincidência, li ontem dois “textos” chamando a atenção para a mesma realidade. São duas pessoas que se encontram em lugares distantes no meu ranking de simpatia e consideração, mas que apresentam duas visões complementares sobre o mesmo objecto de análise. Em primeiro lugar, Nuno Monteiro, investigador e professor da Universidade de Yale, referiu no seu blog um estudo académico intitulado “L-worlds: The curious preference for low quality and its norms.” O trabalho, conduzido por dois investigadores italianos, refere-se a Itália, mas faz lembrar também outro país. O resumo reza assim:

 

We investigate a phenomenon which we have experienced as common when dealing with an assortment of Italian public and private institutions: people promise to exchange high quality goods and services (H), but then something goes wrong and the quality delivered is lower than promised (L). While this is perceived as ‘cheating’ by outsiders, insiders seem not only to adapt but to rely on this outcome. They do not resent low quality exchanges, in fact they seem to resent high quality ones, and are inclined to ostracise and avoid dealing with agents who deliver high quality. This equilibrium violates the standard preference ranking associated to the prisoner’s dilemma and similar games, whereby self-interested rational agents prefer to dish out low quality in exchange for high quality. While equally ‘lazy’, agents in our L-worlds are nonetheless oddly ‘pro-social’: to the advantage of maximizing their raw self-interest, they prefer to receive low quality provided that they too can in exchange deliver low quality without embarrassment. They develop a set of oblique social norms to sustain their preferred equilibrium when threatened by intrusions of high quality. We argue that cooperation is not always for the better: high quality collective outcomes are not only endangered by self-interested individual defectors, but by ‘cartels’ of mutually satisfied mediocrities.

E depois desta apresentação tentadora, começa assim:    

We have spent our academic careers abroad, Gloria in France and Diego in Britain. Over this long period of time each of us has had over a hundred professional dealings with our compatriots in Italy – academics, publishers, journals, newspapers, public and private institutions. It is not an exaggeration to say that 95% of the times something went wrong. Not catastrophically wrong, but wrong nonetheless.

Sometimes what goes wrong is timing, things do not happen when they are supposed to happen. Or they happen in a different form from that which was planned or are simply cancelled. Workshops have twice or half as many people as one was told to expect, the time allocated to speak is halved or doubled, proofs are not properly revised or mixed up, people do not show up at meetings or show up unannounced, messages get lost, reimbursements are delayed, decreased or forgotten altogether. This experience now extends to internet dealings: relative to those in other countries, Italians websites are scruffier, often do not work properly, remain incomplete or are not updated, messages bounce back, e-mail addresses change with dramatic frequency, and files are virus-ridden.

Também ontem Luís Figo, ele mesmo, referiu o seguinte:

Por conta dos últimos acontecimentos, estou queimado em relacão a Portugal. Quando quiser mais problemas, regresso a Portugal. Quando quiser não estar tranquilo, regresso a Portugal.” E remata com: “Sou patriota, gosto dos portugueses, mas gosto mais de mim”.

Se quisermos desmenti-los, vamos ter de nos esforçar um bocado mais.

Setembro 14, 2010 - Posted by | Sem categorias | ,

5 comentários »

  1. Nós que estamos fora do país sentimos um pouco isso, não achas?

    Comentar por Paulo Simoes | Setembro 14, 2010 | Responder

    • Acho!… Sem querer dar uma de snob, acho que há muita gente que, quando se afasta um pouco, consegue ver isto ainda melhor.

      Comentar por Bruno Oliveira Martins | Setembro 14, 2010 | Responder

  2. Sorry for commenting off topic, but do you know EU related blogs in Portugal or Portuguese, which could gain visibility through Bloggingportal.eu and inform readers about discussion about European issues?

    Comentar por Ralf Grahn | Setembro 14, 2010 | Responder

    • Ralph, thanks for the comments – and for the reference last week. I’ll send you some links via email, so please send it to me.
      Regards

      Comentar por Bruno Oliveira Martins | Setembro 14, 2010 | Responder

  3. […] mais: Vamos fazer o que ainda não foi feito Esta entrada foi publicada em Academia e marcada com a tag ainda, fazer, feito, não, vamos. […]

    Pingback por Vamos fazer o que ainda não foi feito | DicasON | Maio 20, 2011 | Responder


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