Tratados

NATO-Lisbon :: A Rússia também joga

Adam Daniel Rotfeld foi Ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, e sabe do que fala quando se debruça tanto sobre a NATO como sobre a Rússia. Também por ser polaco, e também por fazer parte do grupo de especialistas que redigiu o documento que serviu de base às negociações do Novo Conceito Estratégico, o seu artigo na Europe’s World do Outono de 2010, que acaba de sair, é extremamente interessante.

Em “Why NATO and Russia Need Each Other“, Adam Daniel Rotfeld defende que uma aproximação entre ambos as partes é salutar para todos. A base para esta desejável aproximação está, no entanto, assente em duas premissas que teimam em não acontecer: por um lado, a NATO tem de apurar conceptualmente a sua estratégia em relação ao gigante russo, apuramento este que deve fundar-se em novas opções estratégicas. A segunda premissa relaciona-se com a Rússia e com a necessidade de reconhecimento, por parte de Moscovo, da autonomia política e diplomática dos países que se encontram na sua zona de influência. De facto, Moscovo não pode agarrar-se à retórica da Guerra Fria e exercer uma super-supervisão sobre alguns dos países que se situam para lá da antiga cortina de ferro. É que, se se enterrou de vez com a Guerra Fria, convém que isso seja bem claro para todos, e não só para alguns. 

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Outubro 26, 2010 Posted by | Sem categoria | | 1 Comentário

Cinema Paraíso

Michael Corleone: I saw a strange thing today. Some rebels were being arrested. One of them pulled the pin on a grenade. He took himself and the captain of the command with him. Now, soldiers are paid to fight; the rebels aren’t.

 Hyman Roth: What does that tell you?

Michael Corleone: It means they could win.

Outubro 22, 2010 Posted by | Sem categoria | | Deixe um comentário

Dois dedos de conversa sobre Merkel e os imigrantes

Para perceber o contexto das importantes declarações de Angela Merkel acerca da integração de minorias, é indispensável ler uma série de posts de Helena Araújo no blog 2 Dedos de Conversa. Fala quem sabe. Bela revelação e a melhor notícia do dia.

Outubro 21, 2010 Posted by | Sem categoria | | Deixe um comentário

NATO-Lisbon :: “Nós” e “eles”

Bruxelas é uma cidade muito peculiar, com dinâmicas políticas muito interessantes, capazes que criar casos verdadeiramente curiosos. Uma das questões que, por norma, gera situações caricatas é a co-existência da NATO com a UE. É que Bruxelas é também a capital da NATO.

O quartel-general da NATO fica a uns 15 minutos (de carro, não de avião) do centro nevrálgico da UE, a zona onde estão as sedes do Parlamento, da Comissão, do Conselho, e muitos outros edifícios pejados de escritórios com funcionários destas instituições. No entanto, aquela distância parece bem maior, principalmente se se conversar com quem trabalha em cada uma das organizações. A cidade é a mesma, mas os mundos em que vivem são diferentes.

Em inícios de Junho estive no quartel-general da Aliança para uma visita e para assistir a uma pequena conferência. Para quem está envolvido nas dinâmicas da UE, foi óptimo poder ouvir a voz da NATO na primeira pessoa e confirmar ideias pré-estabelecidas quanto às diferentes visões que se podem ter em relação a questões de segurança. É óbvio que assim seja, mas não deixa de ser curioso ver como, para esta diferença de visões, as organizações contam muito mais do que as nacionalidades.

Uma das pessoas que falou na conferência era um analista político senior alemão da NATO, extremamente interessante, com um passado académico relevante e que agora trabalhava na Aliança. Foi curioso notar que, quando se referia à NATO, usava a primeira pessoa do plural (“we” – “nós”), enquanto que, quando queria aludir à UE, usava a terceira pessoa (“they” – “eles”). Para além de estar na origem da criação da NATO, a Alemanha está na origem da criação da UE. E, para quem estuda o processo de integração europeia, não deixa de ser surpreendente ouvir um alemão referir-se à UE como sendo algo que lhe é estranho. De vez em quando, para aprender não há nada como largar os livros.

Outubro 21, 2010 Posted by | Sem categoria | | 1 Comentário

NATO-Lisbon :: Introdução

Entre hoje e a cimeira da NATO, a realizar em Lisboa nos dias 19 e 20 de Novembro, este blog acompanhará o debate académico e político em torno das grandes decisões que resultarão da cimeira. As dinâmicas pré e pós cimeiras internacionais providenciam sempre motivos de interesse para analisar. Para introduzir o tema, deixarei alguns links com informação básica acerca da reunião. A opinião e a crítica vêm a seguir.

A Roadmap for a New Strategic Concept” . Secção do website oficial da NATO acerca do processo que conduzirá à adopção do Novo Conceito Estratégico da Aliança Atlântica. Providencia entradas relativas às três fases deste processo: i) Reflexão, ii) Consulta e iii) Redacção e Negociação final (fase em que o processo se encontra actualmente)

Relatório do Comité de Sábios – Encabeçado pela antiga Secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, este grupo de especialistas produziu o Relátorio que tem servido de base às consultas e negociações com os diferentes estados membros da Aliança. Mais informações (e uma entrevista com a própria Madeleine Albright) podem ser obtidas aqui.

The Way to NATO’s New Strategic Concept” – texto de Karl-Heinz Kamp  sobre o processo que levará à adopção de um novo Conceito Estratégico.

NATO’s Strategic Concept: To Defend Everywhere is to Defende Nowhere” – Interessante texto do Col. Patrik T. Warren, da Brookings Institution, defendendo o óbvio – uma vez que não é possível proteger tudo e todos em todo o lado e a todo o momento, torna-se necessário tomar decisões estratégicas para prioritizar as áreas de intervenção. A metáfora futebolística da “manta curta” não deve bloquear a tomada de decisões. É para isso que serve um Conceito Estratégico

Outubro 20, 2010 Posted by | Sem categoria | | Deixe um comentário

Ainda a questão da coerência da União Europeia

Jaap de Wilde, da Universidade de Groningen, referindo-se ao papel dos processos de descolonização na integração europeia e à falta de perspectivas alternativas ao discurso comum nos Estudos Europeus:

“When Europe ruled the world it could afford to be divided – perhaps it ruled the world because it was so divided.”

De Wilde, Jaap (2007) The Poverty of EU-Centrism.

Outubro 19, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Mineiros chilenos e o outro lado do sucesso

O resgate dos mineiros no deserto chileno, que decorre neste momento com total sucesso, é emocionante e demonstra que há coisas que nunca mudam. A solidariedade demonstrada em todo o mundo prova que ainda há causas capazes de unir as pessoas de forma genuína e intensa. E a obra de engenharia impressiona-me verdadeiramente.

É também interessante ver que as autoridades chilenas não pouparam esforços para procurar a melhor solução, aquela que fosse mais rápida e mais segura. Mas o dinheiro e o meios que agora são gastos a salvar estes 33 mineiros poderiam ter sido usados para prevenir o acidente – que está longe de ser o primeiro (ou o segundo, ou o terceiro) que sucede naquela mina. No Chile, há centenas de minas, mas apenas 18 inspectores que controlam a sua segurança. As grandes minas têm standards de segurança e higiene  bastante aceitáveis, mas as explorações mais pequenas, como esta, passam ao lado do rigor e do cumprimento de regras. Espero que o Presidente chileno, que hoje recebe os mineiros com bandeiras do Chile e da Bolívia e envia tweets para os seus seguidores na internet,  faça da segurança das minas uma das áreas de intervenção no seu mandato que agora se inicia. E que, já agora, continue a aparecer publicamente quando os acidentes terminarem mal.

Outubro 13, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Passos Coelho, mineiros no Chile e Selecção

O Telejornal da televisão pública não referiu sequer a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU. Há anos que deixei de ver telejornais. O país deles não é o meu país.

Outubro 12, 2010 Posted by | Sem categoria | 1 Comentário

ANÁLISE:: Proibição da burqa em França

O Conselho Constitucional francês pronuncionou-se na passada quinta-feira acerca da compatibilidade entre a lei que proíbe a utilização de burqa (véu integral que cobre o rosto) em locais públicos e a Constituição francesa. Ainda que muitos analistas tivessem previsto a pronúncia de inconstitucionalidade da lei, o Conselho fez precisamente o contrário: recomendou a aprovação da lei pelas instituições legislativas francesas, por considerar que aquela não viola a constituição.

O que está em causa aqui não é a religião ou a intolerância relativamente a algo diferente. É justamente o contrário: é a sociedade e a intolerância relativamente a algo socialmente inaceitável. Ao estipular multas de 150 euros para mulheres que violem a lei e de até 30 000 euros e um ano de prisão para quem as force a usar a burqa, a lei claramente coloca o foco na questão da liberdade da mulher, que é aquilo que o uso da burqa mais infringe. Além disso, o Conselho Constitucional referiu que a proibição do uso da burqa não deverá alargar-se aos locais de culto, exactamente por tal poder ferir a liberdade de culto. Aí sim, nas mesquitas, é de religião que se trata, e como tal, a proibição da burqa pode ferir a liberdade de culto.

Totalmente de acordo. Numa altura em que o Governo francês tem actuado de forma censurável relativamente aos ciganos, a autoridade guardiã  da Constituição francesa não se furtou às questões difíceis desta lei e colocou o foco na questão principal relativa ao uso do véu integral: a liberdade da mulher. Não se trata de proibir sinais de culto afectos aos islão (o véu islâmico não é proibido). Não se trata de atentar contra a liberdade religiosa ou a violação da laicidade do Estado. Trata-se de proibir uma prática que é socialmente censurável. É apenas isto. Sem dramas.

Outubro 11, 2010 Posted by | Sem categoria | | 8 comentários

   

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