Tratados

NATO-Lisbon :: “Nós” e “eles”

Bruxelas é uma cidade muito peculiar, com dinâmicas políticas muito interessantes, capazes que criar casos verdadeiramente curiosos. Uma das questões que, por norma, gera situações caricatas é a co-existência da NATO com a UE. É que Bruxelas é também a capital da NATO.

O quartel-general da NATO fica a uns 15 minutos (de carro, não de avião) do centro nevrálgico da UE, a zona onde estão as sedes do Parlamento, da Comissão, do Conselho, e muitos outros edifícios pejados de escritórios com funcionários destas instituições. No entanto, aquela distância parece bem maior, principalmente se se conversar com quem trabalha em cada uma das organizações. A cidade é a mesma, mas os mundos em que vivem são diferentes.

Em inícios de Junho estive no quartel-general da Aliança para uma visita e para assistir a uma pequena conferência. Para quem está envolvido nas dinâmicas da UE, foi óptimo poder ouvir a voz da NATO na primeira pessoa e confirmar ideias pré-estabelecidas quanto às diferentes visões que se podem ter em relação a questões de segurança. É óbvio que assim seja, mas não deixa de ser curioso ver como, para esta diferença de visões, as organizações contam muito mais do que as nacionalidades.

Uma das pessoas que falou na conferência era um analista político senior alemão da NATO, extremamente interessante, com um passado académico relevante e que agora trabalhava na Aliança. Foi curioso notar que, quando se referia à NATO, usava a primeira pessoa do plural (“we” – “nós”), enquanto que, quando queria aludir à UE, usava a terceira pessoa (“they” – “eles”). Para além de estar na origem da criação da NATO, a Alemanha está na origem da criação da UE. E, para quem estuda o processo de integração europeia, não deixa de ser surpreendente ouvir um alemão referir-se à UE como sendo algo que lhe é estranho. De vez em quando, para aprender não há nada como largar os livros.

Outubro 21, 2010 - Posted by | Sem categorias |

1 Comentário »

  1. […] Embaixador Permanente dos EUA junto da NATO, Ivo H. Daalder,  concorda comigo (“NATO-Lisbon :: Nós e Eles“), e acha estranho […]

    Pingback por NATO-Lisbon :: Mundos paralelos em Bruxelas « Tratados | Novembro 2, 2010 | Responder


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