Tratados

A meio do caminho

Lampedusa é uma ilha italiana de cinco mil habitantes que se encontra entre a Tunísia e a Sicília, à qual, aos últimos dias, chegaram mais de 4000 tunisinos. Só ontem foram mais de 1000 e neste momento dois barcos encontram-se a caminho. De acordo com o La Reppublica, 1500 imigrantes encontram-se acampados no estádio de futebol local, numa situação que é nada menos do que caótica. As autoridades locais queixam-se de total abandono por parte da UE.

É uma situação a acompanhar nos próximos dias, porque este caso tem tudo para ser altamente problemático. Ainda que haja poucas informações, aparentemente esta vaga migratória não configura uma situação de migração originada por motivos políticos, pelo que, provavelmente, não estamos perante refugiados. Fluxos migratórios mistos ou aparentemente mistos, englobando migrantes económicos e refugiados ou situações de difícil classificação colocam grandes desafios às autoridades.

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Fevereiro 13, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Corações abertos

A primeira vez que os Deolinda tocaram “Parva que Sou” foi no Coliseu do Porto. Por entre a comovente espontaneidade da reacção do público, quando Ana Bacalhau diz “que parva que eu sou” há umas vozes que dizem “não és nada!”. Por duas vezes. Generosidade e espontaneidade típicas dos nortenhos. 

Fevereiro 13, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Crise no Egipto e UE

Cathy Ashton emitiu hoje um comunicado com o qual tenta marcar o jogo diplomático por detrás da revolta egípcia. O comunicado começa com uma expressão de intenções, bem típica da imagem que a UE tem de si: “Passámos uma mensagem forte às autoridades egípcias”. Depois, dirige-se às autoridades egípcias para que restabeleçam a ordem, recordando que são elas as responsáveis pela protecção dos cidadãos. Ashton termina instando à adopção de medidas urgentes, concretas e decisivas que vão de encontro às aspirações democráticas dos cidadãos egípcios, para que se possa embarcar numa transição significativa e real em direcção a uma reforma democrática genuína, abrindo caminho para a realização de eleições livres e justas.

Se, no primeiro dia de revolta nas ruas do Cairo, foi Hillary Clinton a porta-voz da Administração americana, a partir de então tem sido Obama a assumir publicamente a condução da actuação de Washington em torno da (espera-se) proto-revolução egípcia. Obama percebeu que, do ponto de vista da política internacional, os acontecimentos no Egipto podem originar uma mudança de paradigma, cujas consequências deverão ser contidas e controladas. Os Estados Unidos têm liderado, sem surpresa, a pressão internacional em torno do regime de Mubarak. Mas o que estas semanas de revolta nas ruas da Tunísia e do Egipto têm demonstrado cabalmente é a falta de presença da UE nos processos de influência de uma sucessão de eventos decisivos numa área fundamental do seu contexto geoestratégico.

O chamado Processo de Barcelona, lançado em 1995, criou a Parceria Euro-Mediterrânica, uma estratégia que visava aproximar ambas as margens do mar Mediterrâneo através da prossecução de políticas organizadas em três domínios (“baskets”):

1) Questões de segurança, incluindo temas relacionados com as formas de organização e governação política, democracia e protecção dos direitos humanos;

2) Cooperação económica

3) Reforço de cooperação ao nível da sociedade civil e promoção da cidadania.

Posteriormente, a UE lançou a sua Política Europeia de Vizinhança, onde prosseguia uma cooperação mais estreita com os seus vizinhos a sul e a leste, mas desta feita numa base bilateral. Tanto o Egipto como a Tunísia têm acordos bilaterais assinados com a UE.

Os acontecimentos dos últimos dias têm mostrado que a estrutura institucional que a UE desenvolveu com os países do Mediterrâneo não lhe conferiu suficiente força política nessa região. A cooperação existe em áreas como controlo dos fluxos migratórios ou facilitação de trocas comerciais, mas a verdade é que influência da UE nas questões fundamentais da governação política é residual. Por fim, a actuação de Cathy Ashton e do seu gabinete tem alimentado os argumentos de quem defende a sua total desadequação para um cargo que é novo e que, por isso, requeria proactividade, rasgo e força política – características que Ashton não tem nem nunca terá. Após mais de um ano de mandato e de uma sucessão de crises internacionais onde a sua actuação tem sido avaliada, o balanço já pode começar a ser feito: para já, do ponto de vista dos interesses da UE e das suas expectativas pós-Lisboa, Ashton tem sido pouco menos do que um desastre.

Fevereiro 3, 2011 Posted by | Sem categoria | , , , | 3 comentários

Acordo ortográfico

Pelos vistos escreve-se “Egito”, mas quem lá vive continua a ser “egípcio”. É no que dá fonetizar uma língua.

Fevereiro 3, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Revoluções em catadupa

“Adoro os nomes das revoluções…veludo, rosa, jasmim, laranja”.

Fevereiro 1, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 Comentário

   

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