Tratados

“Sim, sabemos do que falamos”

Um vasto conjunto de investigadores e professores de Relações Internacionais, bem representativo desta comunidade em Portugal, assina hoje um artigo no Público que responde a um outro artigo, publicado no mesmo jornal, no qual a socióloga Maria Filomena Mónica, por ocasião das manifestação da “Geração à Rasca”, havia criticado a existência, os conteúdos e qualidade do corpo docente destes cursos. “Isto habilita-os a quê? Alguém se deu ao trabalho de olhar o conteúdo destes cursos. Os docentes que os regem sabem do que falam? Duvido”.

A resposta a estas perguntas é dada no artigo. Mas a questão vai um pouco mais longe do que a própria licenciatura em Relações Internacionais e a sua empregabilidade. Vai de encontro à própria função das universidades e, mais ainda, da própria importância do estudo das Humanidades para questões tão vitais da nossa vida em sociedade como a cidadania, a democracia, a criatividade e o estímulo intelectual – no fundo, tudo o que nos distingue quer de animais, quer de robots. Todos estes argumentos estão desenvolvidos neste maravilhoso livro cuja capa acompanha este texto. Em “Not For Profit: Why Democracy Needs Humanities“, Martha Nussbaum destaca o papel das humanidades e a necessidade de a sociedade e as universidades voltarem a centrar-se no conhecimento e não se tornarem meros formadores de trabalhadores destinados apenas a cumprir uma determinada função na sociedade – função esta que, em última instância, está sempre orientada para a produção, o lucro e o enriquecimento material. Durante séculos, o conhecimento de línguas, a multidisciplinariedade, o saber transversal ou o conhecimento das várias formas de arte faziam parte do que efectivamente deveria ser aprendido, porque eram estas questões que constituiam o corpo principal do conhecimento. Hoje já não é assim,  mas está na altura de recentrarmos prioridades. 

Março 28, 2011 Posted by | Sem categoria | | 2 comentários

   

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