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Guantánamo e a simbologia contra-terrorista: uma resposta

Num comentário via facebook relativo ao post de ontem, Sérgio Loureiro afirmou o seguinte:

 “Eu percebo a posição de princípio. Mas no mundo da política real, existem factos. E enquanto Guantanamo estiver aberto, certas coisas que lá se passaram (e outras) podem continuar escondidas. No momento em que se fechar Guantanamo, passa a existir uma luz legal em cima dessas zonas de sombra. A realidade política americana não está preparada para lidar com isto. Senão repara: Obama vai ter que explicar porque Guantanamo continua aberto, depois de ter prometido que fechava no espaço de um ano. Se ele está disposto a pagar o preço político de ter esta promessa não cumprida, é porque o preço político de cumprir a promessa é mais alto (e não deve ser pouco). Também não concordo com o teu preceito de que a “paz das nações” não se coaduna com os Jack Bauers. De facto, parece-me que Obama usa muito bem o proverbial “talk softly and carry a big stick”. É por ele demonstrar que não hesita em usar a realpolitik que se pode permitir matar piratas somalis, usar drones no Paquistão, fazer de Jack Bauer com o OBL, manter Guantanamo aberto, e dizer ao Bibi que a solução para a paz na Palestina passa pelas fronteiras de 67. Garanto que a análise custo-benefício destas coisas está feita e bem feita”.

Transcrevi o comentário porque este traz ideias interessantes que estimulam o debate e apontam novas direcções para a análise da questão de Guantánamo. Neste sentido, acrescento algumas ideias, dividadas por tópicos:

1 – A existência de um local como Guantánamo – A luta contra o terrorismo é vista como um combate que, por vezes, requer medidas excepcionais, pelo facto de o objecto a combater usar estratégias e instrumentos pouco susceptíveis de serem eficazmente combatidos com os meios habituais. Eu reconheço isso, e quem estuda contraterrorismo sabe que é assim. Neste sentido, poder-se-ia chegar mais longe, dizendo que saber-se da existência de um local como Guantánamo é positivo, se se considerar que locais “acima da lei” existirão sempre e, apesar de tudo, sabe-se mais sobre Guantánamo do que sobre outros locais que nem se sabe se existem – mas que existem.

2 – Excepcionalidade – O problema com Guantánamo e com os desenvolvimentos a que tem sido sujeito está no factor “excepção”. Em muitos casos (quase todos?), podem não existir razões suficientes que justifiquem a manutenção dos prisioneiros em condições tão excepcionais. Para muitos analistas, Guantánamo não deveria sequer existir; mas mesmo quem defende a sua existência costuma reconhecer a insuficiência das provas que retêm muitos dos prisioneiros neste centro. A excepcionalidade que poderia justificar Guntánamo (aos olhos de alguns analistas) não se alarga a todos os prisioneiros, e as perspectivas actuais, baseadas em legislação que congressistas e senadores estão a tentar aprovar, apontam para uma “normalização da excepcionalidade”: os critérios para justificar a excepcionalidade serão menos apertados.

O texto anterior tem, portanto, duas ideias de partida:

  • A promessa de Obama de fechar Guantánamo não se cumpriu
  • A promessa de Obama de fechar Guantánamo parece estar mais longe de se cumprir

3 – “Talk softly and carry a big stick” – Sim, Obama desilude os seus apoiantes mais pacifistas. E ainda bem. Desgraçado o mundo em que os pacifistas fanáticos prevaleçam. Mas julgo que a retórica e a simbologia do pós 11 de Setembro têm de ser ultrapassadas, e não o serão enquanto um lugar como Guantánamo estiver a funcionar a todo o gás. Além disso, como referi ontem, isso poderia ser mais eficaz no longo prazo.

4 – E a UE? – A política contra-terrorista da UE consubstancia-se num conjunto de instrumentos que visam reforçar a cooperação policial e judicial entre os Estados membros e num conjunto de acções ao nível da política externa. Toda a actuação europeia privilegia a dimensão legal deste combate em detrimento da dimensão militar, com o objectivo de desglamourizar o terrorismo islâmico. O Coordenador da Luta Anti-Terrorista na UE afirma que os prisioneiros de Guantánamo fazem parte do discurso dos terroristas, enquanto que dos condenados pelos atentados de Madrid ninguém ouve falar. E isso é verdade. Mas esta retórica desmonta-se quando confrontada com situações-limite. Exemplos? A UE advoga o fecho de Guantánamo, mas depois muito poucos países europeus estão dispostos a acolher antigos prisioneiros (Portugal é uma excepção a esta tendência, uma vez que alberga dois sírios que estiveram naquela base). E a UE advoga o primado da lei e do direito, enquanto dá os parabéns a Obama pelo “huge sucess” que foi a morte de Bin Laden.

Maio 26, 2011 - Posted by | Sem categorias | , , , ,

2 comentários »

  1. Bruno: Deixo aqui uma outra ideia que gostava de ouvir a tua opinião. O debate acerca da melhor maneira de combater o terrorismo passou ao de leve, na eleição de 2004, por uma discussão sobre se a estratégia deveria ser de índole militar ou de índole criminal. O John Kerry defendia que o foco da luta contra o terrorismo deveria ser a investigação criminal. A prática da administração Bush foi militar: reacção rápida a qualquer ameaça, por mais pequena que fosse (incluindo invadir o Iraque). Ron Suskind escreveu um livro, The One Percent Doctrine (http://www.ronsuskind.com/theonepercentdoctrine/) muito interessante acerca disto. Do outro lado do debate, um artigo recente da Time (http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,2067995,00.html) descreve os sucessos e dificuldades do FBI no ocmbate ao terrorismo. Qual é a tua opinião?

    Comentar por Sérgio Loureiro | Maio 27, 2011 | Responder

  2. Obama jamais via fechar o Guantánamo, porque está treinando os terroristas ali detido, para os espalhar pelo mundo!!!

    BARACK HUSSEIN OBAMA e sua estratégia…

    Obama estava desesperado em bombardear a Síria, para apagar os últimos vestígios das Armas Químicas, que ele deu aos seus amigos Terroristas muçulmanos, chamados de “Rebeldes”, para serem espalhadas entre o povo, com a finalidade de incriminar o governo sírio, e finalmente conseguir o seu verdadeiro objetivo: ajudar em implantar o ISLAMISMO RADICAL, na Síria.
    Nota: no Egito, onde OBAMA também interferiu em prol da IRMANDADE MUÇULMANA se deu mal, e o ISLAMISMO RADICAL foi derrubado.
    Ora, não é OBAMA que envia armamentos e dinheiro para os Terroristas, na Síria?
    Não foi Obama que entregou um Drone para que os iraquianos o pudessem copiar, sob alegação que caiu no IRÃ?
    Obama, monitora os telefonemas no mundo inteiro, sob alegação que é para combater o Terrorismo.
    Se realmente quisesse combater o Terrorismo, monitoraria os telefonemas de muçulmanos, que são Terroristas, e não dos europeus e asiáticos!!!
    Alega que combate Terrorismo, no entanto, deixou que os irmãos chechenos, praticassem Terrorismo na maratona de Boston, embora tivesse sido avisado pelo Serviço de Inteligência Russa, que eram perigosos, e cuja mãe deles estava fichada no FBI, como Terrorista.
    OBAMA alegou ter mandado matar OSAMA BIN LADEN, e nada foi provado. O interessante é que os enviados para o Oriente Médio, e que participaram da FARSA, num total de 24 (vinte e quatro), e dos quais 20 (vinte) já estão mortos, numa verdadeira ‘QUEIMA DE ARQUIVO”.
    A única realidade crua e nua é que OBAMA é aliado dos Terroristas muçulmanos, e lhes passa todas as informações necessárias sobre tudo que acontece no Ocidente, no que se refere ao combate ao Terrorismo, através de escutas de telefonemas e internet, para que possa avisar em tempo, seus amigos Terroristas muçulmanos, se alguma preparação para um atentado Terrorista, já foi descoberta, para os advertir. Quando os verdadeiros combatentes do Terrorismo nada descobrem, o atentado é realizado.
    Se não tivesse essa intenção, não precisaria monitorar telefonemas dos Ocidentais e Orientais, porque eles não enviam Terroristas para matar em outros países, como os muçulmanos!
    Em meio a um discurso do OBAMA, lhe escapou: “FUI PREPARADO POR ANOS, PARA SER PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA”. A nítida impressão que se tem, é que foi preparado por Terroristas muçulmanos. E se aproveitando de atual tecnologia usada por NSA, PRISM E VERIZON, incluindo os Drones, está sabotando o mundo civilizado, sob alegação que combate o Terrorismo, porém OBAMA, na verdade combate a civilização ocidental e oriental, em prol dos Terroristas muçulmanos!
    A Europa e os países civilizados não podem e nem devem aceitar qualquer ajuda desse “infiltrado” na presidência americana, o OBAMA, que se faz passar por um simples mulato e cristão, e cuja verdadeira identidade e religião continuam uma incógnita!
    E, graças ao BARACK HUSSEIN OBAMA, o terrorismo aumentou!!!

    Comentar por Dagmar Barták | Março 23, 2014 | Responder


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