Tratados

CIA pelos ares no Afeganistão

No decurso de um conflito internacional, para além das baixas dos civis e dos militares, há as mortes dos agentes secretos, dos operacionais das organizações de espionagem que jogam em tabuleiros paralelos, mais longe dos holofotes mas mais perto das decisões. Muitas vezes, é neste jogo que as guerras se ganham ou se perdem. No caso da guerra do Afeganistão, entre Novembro de 2001 e Outubro de 2003, morreram pelo menos quatro agentes da CIA: na perseguição a terroristas, em revoltas de prisioneiros taliban, em exercícios.

Ontem, na base da CIA em Khost, foram oito os norte-americanos mortos por um bombista suicida. O ataque foi reivindicado por um porta-voz dos taliban, que referiu tratar-se de um acto perpetrado por um agente do Exército Nacional Afegão. Duro revés para as forças americanas. Como referiu Bruce Hoffman, “every American death in a theater of war is tragic, but these might be more consequential given these officers’ unique capabilities and attributes.” Pode ser que nunca se venha a saber quais as consequências deste revés, quais as acções abortadas ou definitavemente comprometidas. Ou isso ou esperar por um segundo volume, outras 800 páginas.

 

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Dezembro 31, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

Realidade e ficção II

As origens do receio israelita relativo a actividade nuclear por parte da Síria remontam ao início do consulado de Bashar al-Assad, presidente sírio desde Julho de 2000. As notícias acerca de reuniões suas com delegações norte-coreanas de alto-nível, no entanto, e de acordo com a história do Der Spiegel, não terão levantado grandes preocupações até 2004, data em que a norte-americana National Security Agency detectou um enorme fluxo de comunicações entre Pyongyang e um ponto localizado no deserto sírio. Uma vez dado o alarme, seria tempo de Telavive actuar.

Aparentemente, Israel terá decidido consultar-se com os seus congéneres britânicos, justamente numa altura em que um oficial do Governo sírio, seguido pela Mossad desde há algum tempo, se alojava em Londres. Um descuido seu permitiu que fosse instalado no seu computador portátil uma aplicação informática que revelou plantas, mapas e sobretudo fotos do complexo de Al-Kibar (o tal ponto no deserto), que revelavam actividades nucleares.

Em 2007, Ali-Reza Asgari, antigo líder da Guarda Revolucionária Iraniana no Líbano, nos anos 80, e ex-Vice Ministro da Defesa Iraniano até 2005, corria risco de vida. Afastado do poder após a eleição de Ahmedinejad, tinha subido a retórica relativamente a alguns apoiantes do novo Presidente iraniano, acusando-os de corrupção, e tentava agora novamente refugiar-se no estrangeiro, após duas tentativas mal sucedidas, em 2006. E estava disposto a colaborar com a CIA e a Mossad. Entre muitas informações preciosas, terá dito que Teerão tinha um plano B: para além das instalações de Natanz, onde estavam a enriquecer urânio com conhecimento dos EUA e de Israel, estavam a financiar a construção de uma instalação na Síria, num projecto realizado em parceria com os norte-coreanos. Era a confirmação que faltava.

(continua)   

Novembro 26, 2009 Posted by | 1 | , , , , , | Deixe um comentário

CIA à cabeceira e na mochila

Historia-da-CIAComeça assim:

Um Legado de Cinzas é a história dos primeiros 60 anos da Central Intelligence Agency (CIA). Descreve como o país mais poderoso da história da civilização ocidental não conseguiu criar um serviço de espionagem de primeria classe. Este fracasso constitui um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos.

“Os serviços de espionagem são uma actividade secreta com o objectivo de compreender ou alterar o que acontece no estrangeiro. O presidente D. Eisenhower chamou-lhe ‘uma necessidade repugnante, mas vital’. Uma nação que quer projectar o seu poder para lá das suas fronteiras tem de olhar para o horizonte, saber o que aí vem, evitar ataques contra o seu povo. Tem de antecipar a surpresa. Sem um serviço de informações forte, inteligente e activo, os presidentes e generais podem ficar cegos ou incapacitados. Mas, durante toda a sua história enquanto superpotência, os Estados Unidos nunca tiveram esse serviço.”

E depois continua, durante mais 800 páginas. Mesmo estando ainda no início, posso já recomendar este livro de Tim Weiner. Não se ganha o Pulitzer duas vezes em vão.

Agosto 22, 2009 Posted by | 1 | , | 1 Comentário

   

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