Tratados

Business as usual

Fonte: AP

Após três anos de ausência de atentados terroristas em solo israelita, Jerusalém voltou hoje a sentir a explosão de uma bomba numa paragem de autocarro. Um morto, trinta feridos e algumas coisas ainda por perceber, nomeadamente a eventual relação com o lançamento de um rocket a partir de Gaza em direcção a Beersheva, umas horas antes.

Netanyahu cancelou a visita a Moscovo que tinha programada para acompanhar a situação. É uma experiência traumatizante e corresponde ao renascimento de um sentimento colectivo de insegurança que os israelitas tanto têm feito por esquecer, uma vez que o último ataque terrorista à bomba em Jerusalém foi em 2004. A sucessão de reacções oficiais palestinianas e israelitas traz luz em relação àquilo que se pode esperar nos próximos dias, sendo que dificilmente deixará de haver qualquer tipo de acção por parte das forças israelitas, ainda que o primeiro-ministro palestiniano Fayyad tenha condenado o ataque de forma veemente. Ehud Barak, ministro da defesa, associou o ataque ao Hamas e deixou no ar uma clara intenção de retaliação. Como sempre, será uma questão de horas.

Março 23, 2011 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

Passaportes falsos, vergonha a sério

Tinha dito aqui que o caso do assassinato do agente do Hamas no Dubai por agentes da Mossad era grave demais para ser ignorado. As consequências continuam a verificar-se publicamente todas as semanas. Em Varsóvia, ontem foi levado a tribunal Uri Brodski, alegado membro da Mossad envolvido naquele caso. Depois da Irlanda, Austrália e Reino Unido (pelo menos), que vêem na gravidade do caso a legitimação para a expulsão de diplomatas (como se fazia antigamente), as teias deste caso vergonhoso chegam à Polónia – mais um país da UE. Se tudo isto é público, imagino o que não seja.

Ler mais aqui – Poland to extradite alleged Mossad agent tied to Dubai killing e Alleged Mossad agent may appeal extradition over Dubai hit

Julho 8, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Surto de violência em Israel

A actual situação de tensão entre Israel e palestinianos, por um lado, e entre Israel e os EUA, por outro, tem vindo a ser cozinhada desde há ano e meio, desde o surto de violência protagonizado pelos colonos israelitas e que os opôs tanto aos palestinianos como às próprias forças de seguranças israelitas. Já na altura escrevi, num paper para o CEPESE da Universidade do Porto, que estas acções colocavam o Estado judaico perante um desafio ao Estado de direito e ao primado da lei. Nesse teste, Israel chumbou. Netanyahu e o seu governo de coligação com extremistas mais radicais do que Bibi, eleitos alguns meses depois, têm feito o resto. É  provável que, com Livni, a situação fosse diferente.

O quadro actual é formatado por duas ideias basilares: por um lado, a contínua expansão de colonatos israelitas está a fazer transbordar a ira dos palestinianos e, como já tantas e tantas vezes foi dito, enquanto este movimento persistir, não há sequer miragem de processo de paz. É uma contradição em si mesma. Por outro lado, a  tensão com os Estados Unidos parece chegar do facto de Obama e Hillary Clinton estarem a permitir que se perceba que perceberam que não têm em Netanyahu um parceiro credível para negociar. A escalada de retórica da parte de Washington surge agora por, com o Vice Joe Biden em Israel em viagem e tentativa de relançamento das negociações, persistirem os anúncios de que a expansão dos colonatos irá continuar, desta feita com mais 1600 casas em Ramat Shlomo. Washington considerou este anúncio um insulto, mas a verdade é que insultos destes há todos os dias. Aguarda-se a posição da Administração Obama neste que é, até agora, o maior desafio colocado perante si no que respeita ao seu empenho na resolução do problema israelo-palestiniano. Netenyahu terá percebido a fraqueza de Obama no que concerne ao conflito e foi esticando a corda. A verdade é uma: se nos últimos anos não houve senão retrocessos, a evidência empírica aponta para a necessidade óbvia de se mudar a abordagem.

As hipóteses de haver uma escalada de tensão ao ponto de originar uma terceira intifada serão maiores se houver, também, uma escalada de retórica e a adopção de determinadas medidas por parte da Autoridade Palestiniana. Se há facções palestinianas interessadas neste cenário, outras há para quem só o cenário actual é conveniente. A Fatah saberá que a violência potencia o extremismo e, por isso, beneficia em última instância o Hamas. E é nesta balança que os seus líderes terão de actuar, sendo certo que qualquer decisão tomada terá implicações decisivas na política da região.

(corrigido)

Imagem: UPI.com

Março 16, 2010 Posted by | 1 | , , , , , , , , | Deixe um comentário

Mossad no Dubai, ou “amigos, amigos, segurança à parte”

Como de costume, Der Spiegel apresenta a mais completa e interessante versão acerca do assassinato selectivo de Mahmud al-Mahbouh, dirigente do Hamas morto no Dubai por uma equipa de agentes da Mossad. Para além da descrição minunciosa de todos os passos dos agentes, e do desenrolar do processo de tomada de decisão antes de cada operação da secreta israelita, o artigo coloca muitas questões interessantes. Para além da perplexidade óbvia pela utilização descarada de passaportes de países com os quais Israel mantém excelentes relações diplomáticas (Reino Unido, Irlanda, França, Estados Unidos e Austrália), é interessante verificar que este assassinato surge num momento em que o Bundesnachrichtendienst,  serviços secretos alemães, está envolvido numa negociação entre israelitas e palestinianos tendo em vista uma troca de prisioneiros (entre os quais, presumivelmente, se encontra Gilad Shalit). Esta acção no Dubai demonstra, se necessário fosse, que quando surge alguma núvem de ameaça  à segurança de Israel, tudo o resto fica para trás. E quando digo tudo, é mesmo tudo.

Mas a questão principal neste caso talvez seja o roubo de identidades de cidadãos israelitas: alguns dos agentes entraram no Dubai usando passaportes de cidadãos israelitas, colocando em causa a sua reputação, o seu bom-nome e, em última instância, a sua própria segurança. Trata-se de uma contradição difícil de perceber, que faz levantar um outro conjunto de questões. Terá esta sido uma acção de agentes duplos eventualmente ao serviço de outros serviços secretos, destinada a responsabilizar a Mossad? Seria o dirigente do Hamas um alvo tão precioso que justificou todos os riscos corridos nesta operação (incluindo a invitabilidade de os agentes serem identificados pelas câmaras de videovigilância no hotel)? Ou tratar-se-á “apenas” de um grave falhanço dos serviços secretos israelitas, que se deve juntar a vários outros surgidos ao longo das últimas décadas? De qualquer forma, por muito que algumas destas questões possam nunca vir a encontrar resposta (pelo menos para o exterior), é um assunto que vale a pena continuar a acompanhar. 

Fevereiro 27, 2010 Posted by | 1 | , , , | 3 comentários

   

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