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Business as usual

Fonte: AP

Após três anos de ausência de atentados terroristas em solo israelita, Jerusalém voltou hoje a sentir a explosão de uma bomba numa paragem de autocarro. Um morto, trinta feridos e algumas coisas ainda por perceber, nomeadamente a eventual relação com o lançamento de um rocket a partir de Gaza em direcção a Beersheva, umas horas antes.

Netanyahu cancelou a visita a Moscovo que tinha programada para acompanhar a situação. É uma experiência traumatizante e corresponde ao renascimento de um sentimento colectivo de insegurança que os israelitas tanto têm feito por esquecer, uma vez que o último ataque terrorista à bomba em Jerusalém foi em 2004. A sucessão de reacções oficiais palestinianas e israelitas traz luz em relação àquilo que se pode esperar nos próximos dias, sendo que dificilmente deixará de haver qualquer tipo de acção por parte das forças israelitas, ainda que o primeiro-ministro palestiniano Fayyad tenha condenado o ataque de forma veemente. Ehud Barak, ministro da defesa, associou o ataque ao Hamas e deixou no ar uma clara intenção de retaliação. Como sempre, será uma questão de horas.

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Março 23, 2011 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Economia da expansão dos colonatos

O porta-voz da Alta-Representante Cathy Ashton veio hoje reagir ao anúncio de Israel de que vai construir mais 1300 casas na Cisjordância. A expansão dos colonatos esteve congelada até Setembro mas agora, conforme esperado, a desfaçatez regressou (lamento mas é a palavra que me ocorre). No comunicado apresentado hoje, a UE reafirma a ilegalidade dos colonatos à luz do direito internacional e sublinha que a construção destas habitações em Jerusalém Oriental é um obstáculo à paz e que ameaça tornar impossível a solução dos dois Estados.

Para Cathy Ashton, a realização de avanços no processo de paz é claramente uma prioridade. Isso tem sido verificado ao longo deste seu primeiro ano de mandato e constitui talvez a principal marca que tem deixado neste período. Confrontado com sucessivas crises, o estado actual da relação entre Israel e a UE reflecte o desencanto – recíproco – entre os parceiros, e surge como uma das consequências mais previsíveis das eleições que recolocaram Bibi Netanyahu no poder, em Fevereiro de 2009. A linha política seguida pela direita israelita não é subscrita nem pela UE nem pela actual administração norte-americana, mas isso continua a não perturbar decisivamente o rumo seguido por Netanyahu. O que é que será preciso para que o status quo se altere?

Provavelmente, só os factores demográfico e, por arrasto, económico. Numa altura em que a população de Israel é, em mais de 20%, árabe, e em que as taxas de crescimento entre esta franja social são superiores aos restantes israelitas, a crescente anexação de facto de mais território só aumenta os encargos económicos e sociais do Estado judaico. Por um lado, a discriminação que existe em relação à minoria árabe israelita impede que estes cidadãos se sintam “tão israelitas” como “os outros”; e os encargos advindos da expansão de colonatos (estradas, despesas com segurança, muros, etc) são relevantes, do ponto de vista económico. Portanto, mesmo do ponto de vista social e económico (pelo menos destes), a construção de um Estado palestiniano é positiva para Israel. Mesmo olhando para esta questão de um ponto de vista dos interesses israelitas, a crescente expansão dos colonatos não faz sentido, tanto em termos de diplomacia internacional como numa perspectiva económica e social. Por isso, todas as iniciativas que atrasem e comprometam este desfecho são prejudiciais a Israel.

Novembro 9, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , , , | Deixe um comentário

Ridículo, ridículo…

Por muito que as fronteiras entre “esquerda” e “direita” tenham vindo a ser matizadas, e por muitas sub-divisões mais sofisticadas que existam, a verdade é que há determinados temas que agradam mais à direita e outros mais à esquerda. Entre estes últimos, duas das suas maiores bandeiras são os direitos das minorias sexuais (Lésbico, Gay, Bisexual e Transgénero – LGBT) e o sentimento anti-Israel. Quanto mais à esquerda, mais pró e mais anti, respectivamente. E, como em todas as posições extremadas, às vezes a vontade de dizer mal é tanta que se cai no ridículo – principalmente quando se tenta conjugar posições em relação a estes temas. É que Israel (sobretudo Telavive) é uma das capitais da tolerância em relação a LGBT. Todos serão bem-vindos na Gay Parade do próximo ano. 

Justamente a esta hora, em Lisboa, algumas pessoas devem estar reunidas em frente à Embaixada de Israel para protestar. Para reclamar. Por descriminarem LGBT? Não, por apoiarem LGBT. A Embaixada de Israel em Portugal, uma vez mais, apoia financeiramente o Festival Queer Lisboa, o festival de LGBT. Porque, dizem os militantes, Israel quer passar a ideia de que Israel é um oásis de tolerância, e ocultar a questão palestiniana e o desrespeito pelo direito internacional, etc. Apoio, sim. De Israel, não. Gays, sim. Gays de Israel, não.

 

 

Dava-me jeito encontrar uma forma de rematar este texto com alguma piada ou algum comentário, mas isto de facto é tão ridículo que nem vale a pena ir mais além.

Setembro 17, 2010 Posted by | Sem categoria | | Deixe um comentário

“A Society Falling Apart”

Por estas e por outras verdades Zeev Sternhell já sofreu a ira de muitos israelitas. Em 25 de Setembro de 2008, a sua casa foi atacada com uma bomba artesanal, num exemplo de uma perseguição que às vezes faz lembrar o que acontece ainda hoje com os cartoonistas que desenharam Maomé. Mas felizmente Zeev Sternhell prefere estar do lado certo da história e continua a ter uma visão lúcida sobre a sociedade e a política israelita. Hoje, no Haaretz, publica “A Society Falling Apart“:

From the Second Lebanon War to the Gaza flotilla – and this period includes Operation Cast Lead – Israel’s failures have been much greater than its successes. Against this backdrop, Israel’s moral crisis is getting deeper all the time. Vale a pena ler o resto.

Julho 9, 2010 Posted by | Sem categoria | | 1 Comentário

Passaportes falsos, vergonha a sério

Tinha dito aqui que o caso do assassinato do agente do Hamas no Dubai por agentes da Mossad era grave demais para ser ignorado. As consequências continuam a verificar-se publicamente todas as semanas. Em Varsóvia, ontem foi levado a tribunal Uri Brodski, alegado membro da Mossad envolvido naquele caso. Depois da Irlanda, Austrália e Reino Unido (pelo menos), que vêem na gravidade do caso a legitimação para a expulsão de diplomatas (como se fazia antigamente), as teias deste caso vergonhoso chegam à Polónia – mais um país da UE. Se tudo isto é público, imagino o que não seja.

Ler mais aqui – Poland to extradite alleged Mossad agent tied to Dubai killing e Alleged Mossad agent may appeal extradition over Dubai hit

Julho 8, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Ashton e o processo de paz

A sucessão de acontecimentos relevantes em torno do processo de paz israelo-palestiniano ao longo dos últimos meses colocou este tema no topo da agenda de Cathy Ashton, não se sabe se de forma totalmente premeditada ou se esse facto resultou da própria força das circunstâncias. Ainda assim, mesmo sendo impossível a um ministro dos negócios estrangeiros de facto da UE passar entre os pingos da chuva e evitar agarrar este assunto pelos colarinhos, Cathy Ashton tem dirigido bem a acção diplomática da UE em relação ao processo de paz e, num quadro ainda difícil (cargo novo, tema sensível e muito dado a diferentes posições dos Estados membros), tem feito intervenções equilibradas em reacção aos acontecimentos. Além do mais, Ashton sabe que, independentemente de todos os outros resultados em todos os outros domínios da política externa europeia, um balanço muito positivo no processo de paz israelo-palestiniano, com resultados concretos, deixará incontornavelmente uma marca de sucesso no seu mandato. No futuro espera-se mais, mas agora seria difícil esperar outro tipo de declarações que não as que têm sido proferidas. A última das quais foi ontem, sobre o alívio do bloqueio a Gaza e numa altura em que a própria marinha israelita admitiu erros na abordagem à questão da flotilha:

“I am very encouraged by the announcement of the Government of Israel. It represents a significant improvement and a positive step forward. Once implemented, Israel’s new policy should improve the lives of the ordinary people of Gaza while addressing the legitimate security concerns of Israel.”

Junho 21, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Batalha Naval afunda Israel

Há dias diziam-me que, por paradoxal que parecesse, a crise em torno do ataque israelita à flotilha ao largo de Gaza iria acabar por ser benéfica. Para os israelitas, o desastre diplomático comportaria um preço a pagar, e em última instância, levaria à quebra do status quo em relação a Gaza, inadmissível para a comunidade internacional mas, ainda assim, não tanto ao ponto de esta ser proactiva tendo em vista a resolução do problema. A morte  de 9 cidadãos turcos e a detenção, por umas horas, de centenas de cidadãos europeus e americanos, serviu de desbloquador. Agora que se perspectiva o levantamento de parte de bloqueio, os próximos desenvolvimentos dar-se-ão em dois tabuleiros.

Perspectivas internas

Numa esquizofrénica duplicidade de discursos, Netanyahu anunciou que iria aliviar o bloqueio fronteiriço a Gaza, que foi iniciado em 2007 após o Hamas ter assumido o poder neste território. Mas este anúncio apenas foi feito na versão em inglês, dirigida à comunidade internacional e aos jornalistas de órgãos de comunicação estrangeiros. Na versão em hebraico não houve menção a esta decisão. Pode especular-se sobre onde está a mentira, e se o seu objectivo está fora ou dentro das fronteiras do país (o governo pretendeu enganar a comunidade internacional ou os israelitas?), mas, em todo o caso, Netanyahu está a ser vítima de uma coligação ampla demais, onde se reflectem visões muito diferentes, e, também por isso, não tem sido o líder de que os israelitas tanto precisavam. Esta situação hilriante é bem reveladora desta tendência. Uma das últimas coisas de que Israel necessitava agora era de instabilidade política interna; mas a última seria mesmo um governo à deriva e à mercê de franjas mais radicais e incapaz de contrariar a crescente ortodoxidade social do país.

O novo contexto externo

Ao inserir-se numa linha de acontecimentos que, nos últimos 18 meses (desde a ofensiva em Gaza iniciada em 26 de Dezembro de 2008), têm contribuido para um progressivo isolamento internacional, o ataque à flotilha facilitou a opção de alguns indecisos que ainda balançavam entre ambos os lados e fez engrossar a massa dos que rejeitam firmemente este tipo de acções israelitas. A Administração Obama persegue uma linha mais exigente do que as suas antecessoras e a ONU continua na senda do respeito pelo direito internacional, caminho este que, mais tarde ou mais cedo, acaba por colidir com Telavive. Quanto à UE, é importante que se saiba que as suas fortes relações económicas com Israel são condicionadas pelo processo de paz com os palestinianos. E não se trata apenas de uma questão de retórica discursiva e de pressão diplomática; as negociações em torno do upgrade das relações entre ambos os lados, que ocorreram intensamente durante 2008, foram suspensas e não há, ainda, qualquer perspectiva de novo acordo. Neste momento, o instrumento jurídico de regula a relação, o Plano de Acção, viu o seu prazo de validade inicial expirado e sucessivamente prolongado. “Não mata mas mói”: parece ser essa a posição de Bruxelas, e, com efeito, o que se espera é que moa.

Junho 18, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , , , | Deixe um comentário

Ainda o judaísmo político norte-americano

O debate em torno da ideologia inerente à comunidade judaica nos EUA continua. Depois do extraordinário ” The Failure of the American Jewish Establishment“, que Peter Beinart escreveu no último número da New York Review of Books (que referi aqui), e do ping-ping que desenvolveu com Abraham Fox aqui e que será publicado na edição de 24 de Junho, Stephan Glain publica um interessante artigo na Majalla de Junho, que pode ser integralmente descarregada aqui. Em “J Street vs AIPAC”, defende que “a geopolitical war is on for the soul of Jewish America, and it is asymmetrical”. Vale a pena ler na íntegra.

Os princípios aqui defendidos, e aplicados ao caso da batalha naval de Gaza, podem ser vistos resumidamente numa passagem deste post de Ross Douthat em Evaluations, o seu blog do New York Times:

“And this is where the Jewish state’s admirers in the United States have a constructive role to play. Not by offering the kind of phony, “we’re Israel’s real friends because we regularly denounce it as horrible and evil and blame it for all the problems in U.S. foreign policy” critiques that Stephen Walt, John Mearsheimer and Co. specialize in, but by raising and re-raising the strategic issues that Israel’s government seems incapable of contending with at the moment — and by declining to automatically bless every decision made by Israeli politicians just because Hamas is evil (…).

Junho 9, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

O círculo vicioso

O que é dramático para Israel é ter caído definitivamente num círculo vicioso que lhe causa muito mais danos do que gera benefícios. Pensa que i) “todos odeiam Israel”, ii) actua como tal, iii) recebe as consequências desses actos e depois diz iv) “estão a ver como todos odeiam Israel?”

Neste esquema mental, o ponto ii) é fundamental, porque faz com que exista um outro círculo vicioso do qual o Governo actual (e muitos outros que o precederam) não consegue sair. As forças israelitas disparam primeiro e  fazem as perguntas depois. Se as respostas conduzirem, ainda que minimamente, à ideia de que “todos odeiam Israel”, então aquele círculo vicioso inicial adensa-se. O problema vem quando as respostas às perguntas são inconvenientes. Aí, vale quase tudo para fazer valer a versão “oficial” que o Governo adopta: impedem-se inquéritos independentes, tenta-se silenciar os críticos, e sobe-se a retórica em relação aos supostos “inimigos internos”, aqueles cidadãos israelitas ou aqueles amigos de Israel que não aceitam este redemoínho pernicioso e que lamentam que tudo isto arraste o seu país para a lama, colocando verdadeiramente em causa a sua existência enquanto nação dos justos. É preciso tirar Israel do olho dos furacões que provoca, para que sinta os seus efeitos e que possa reerguer-se a partir daí.

Junho 7, 2010 Posted by | Sem categoria | , , | 3 comentários

Para onde vai Israel?

Começa a ficar claro que a estratégia do governo de Netanyahu para lidar com questões de segurança não produz resultados líquidos: os benefícios imediatos que retira de grande parte das acções irão repercutir-se contra o seu próprio país, no curto ou médio prazo. Pior ainda: esta abordagem dá eco a uma recente ascenção de determinadas franjas mais radicais na própria sociedade israelita e faz com que uma posição moderada seja mais difícil de sustentar.

Há já quem diga que muitos dos valores que fazem de Israel a única democracia no Médio Oriente estejam definitivamente em causa. E hoje já não são apenas as ONG de direitos humanos – também elas muitas vezes parte da hipocrisia argumentativa que, de parte a parte, defende o indefensável. Há muitos professores que têm as suas aulas e palestras gravadas por gravadores escondidos, e que são analisadas a posteriori. Há muita pressão sobre os professores, os intelectuais ou artistas que defendem posições que clamam contra o status quo, e há várias organizações da sociedade civil (e não apenas ONG de direitos humanos) que vêem os seus fundos cortados ou congelados. Esta questão tem criado muito atrito diplomático entre o governo e a UE, uma vez que alguns dos projectos que a Comissão Europeia financia em Israel estão a ser boicotados, uns de forma aberta, outros de forma mais encapotada.

Aquando das eleições de Fevereiro de 2009 que colocaram Netanyahu na chefia do governo, vários analistas anteciparam a nefasta influência das franjas que permitiram criar a coligação. Parece agora claro que as suas previsões eram acertadas. Em momentos de crise como o que se vive hoje, as diferentes sensibilidades do governo manifestam-se claramente, e para cada questão há várias posições diferentes. Falta saber o que acontecerá a Ehud Barak, fragilizado enquanto ministro da defesa, e perceber quais as vozes que se imporão no seio da coligação.  

Junho 3, 2010 Posted by | Sem categoria | , , | 2 comentários

Balanço da Parceria Euro-Mediterrânica

 

De acordo com uma consulta a 371 especialistas e actores de 43 países do Mediterrâneo e da UE, o conflito israelo-palestiniano é um grande obstáculo para a Parceria Euro-Mediterrânica, com capacidade de paralisar este processo. Transcrevo abaixo um resumo das conclusões, retirado daqui. O documento “Assessment of the Euro-Mediterranean Partnership: Perceptions and Realities” pode ser lido aqui.

It terms of obstacles, the survey found a wide consensus on the difficulties posed by the Middle East conflict, with 73% saying it seriously endangered the Partnership. The two other obstacles most often mentioned are the weak political will for reform in Mediterranean Partner Countries (43% of respondents) and the lack of South-South integration (43%).

The survey also pointed to the problem of understanding of the Partnership: “14 years after its inception, the Euro-Mediterranean Partnership is diversifying into a set of differentiated thematic processes which are difficult to grasp even for experts and actors selected for the Survey,” the report said, pointing to the high percentage of “Don’t know” answers for many questions seeking a detailed assessment of concrete instruments or progress.

In many respects, it added however, this diversification was “a sign of the Euro-Mediterranean Partnership migrating from the realm of diplomats and generalist civil society actors to the remit of specialized ministerial experts and civil society organizations and even interest groups.”

Indeed, a more detailed analysis of the Partnership by priority areas, reveals a relatively high appreciation of action in the cultural and education fields and the people-to-people programmes, but also that respondents consider that the Euro-Mediterranean Partnership is mainly benefiting the business climate and economic interests, but without this translating into job creation, women’s integration into economic life or a convergence towards EU income levels.

According to a synthesis of results, the Survey offers a clear picture of what has worked and what has not in the Euro-Mediterranean Partnership.

Successes:

– Business climate

– Multilateral programmes in the economic field (role of FEMIP and Medibtikar and Invest in Med Programmes)

– Increasing the awareness and understanding of the different cultures and civilizations

– Educational, cultural, youth and research exchanges (Euromed Heritage, Anna Lindh Foundation, Regional Informationa and Communication Programme, Euromed Youth, Gender Equality Programme)

– Programme on the Role of Women in Economic Life

Failures:

– Enabling citizens to participate in decision-making at local level

– Sustainable development

– Strengthening financial cooperation

– South-South regional economic integration

– Reducing disparities in education achievement

– Cooperation in migration, justice and security

– Facilitating mobility and managing migration

Looking forward, respondents envisaged a bleak future dominated by the Middle East conflict, growing water shortages and social tensions, leading to increased irregular migration to Europe. Taking this into account, they set as top priorities for the Union for the Mediterranean:

– Conflict resolution in the region (62% of respondents)

– Promotion of democracy and political pluralism (49%)

– Water access and sustainability (41.5%)

– Education (41%)

 

 

Junho 2, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , , , | Deixe um comentário

Começou o braço-de-ferro contra Israel nos bastidores

Passaram dois dias, mas ainda é cedo para fazer uma avaliação cabal do que sucedeu ao largo de Gaza. Só depois se pode pensar nas consequências que Israel irá suportar por este acto, sendo certo que, nos corredores diplomáticos, este foi um acto que teve impactos bem fundos em algumas regiões e instituições.

A Turquia é membro da NATO desde os anos 50. Em consequência da evocação do Artigo V por ocasião do 11 de Setembro, a NATO desenvolve actualmente uma missão de patrulhamento do Mediterrâneo em que fiscaliza alguns barcos como forma de combater o terrorismo naquela zona. Para além de membros da Aliança, esta operação “Active Endeavour” tem a participação de Estados não-membros da NATO: a Rússia integra a operação e Israel já demonstrou a sua disponibilidade para participar com uma embarcação. Já houve a troca de cartas que formaliza essa intenção e as negociações acerca dos detalhes dessa contribuição estão numa fase muito avançada. Segunda-feira passada, às 9 da manhã, o telefone tocou no Quartel-General da NATO em Bruxelas, no gabinete de um oficial. Do outro lado da linha estava o Embaixador turco junto da NATO, a inteirar-se do estado das negociações da participação de Israel na “Active Endeavour”, ameaçando seriamente torná-la virtualmente impossível por virtude da necessidade de unanimidade da tomada de decisões no seio da Aliança. Um veto turco impede essa participação. Mesmo não sabendo ainda a dimensão total das repercussões da batalha naval de dia 31 de Maio, a verdade é que estas já começaram. 

Junho 2, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

Ser anti-Israel é diferente de ser anti-semita, mas nem por isso deixa de ser nojento e ter resultados desprezíveis

Há duas horas atrás, no fim de um encontro informal com alunos israelitas em que se discutiu as relações UE-Israel-Médio Oriente:

Ele: De onde és, em Portugal?

Eu: Sou do Porto, a segunda cidade do país.

Ele: Infelizmente não fui lá, fui só a Lisboa. É a cidade mais espectacular da Europa.

Eu: Sim, Lisboa é fantástica!

Ele: Eu gostei tanto que depois levei toda a minha família a Portugal. Lisboa é mesmo espectacular. Mas, sabes, em Portugal foi o sítio da Europa onde senti maior hostilidade em relação ao facto de ser israelita.

Eu: A sério? Isso deixa-me muito surpreendido.

Ele: Pois… Fui ver um jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica…

Eu:… ah! Eu sou do Sporting!

Ele: Eu também. Gosto muito do João Moutinho.

Eu: Eu não, mas isso podemos discutir depois…

Ele: Gostei muito de estar no Estádio José Alvalade antes de começar o jogo. Estava com pessoas do DUXXI, estavam todos a ser muito simpáticos, estavamos já a falar há algum tempo quando me peguntaram: “Então, de onde és?” Eu respondi que era israelita. Então viram-me as costas e disseram-me: “És israelita, nem sequer falamos contigo”.

Maio 31, 2010 Posted by | Sem categoria | , | 6 comentários

Fim da linha para Netanyahu e mais uma porta que se fecha

Numa fase em que os dados relativos ao ataque da marinha israelita a um “comboio naval” ao largo de Gaza ainda estão a chegar, é ainda prematuro fazer julgamentos definitivos acerca de todos estes acontecimentos. Mas é possível enquadrá-los numa linha de sucessivos falhanços diplomáticos, uma escalada de incompetência e de desafio à comunidade internacional por parte do governo de Netanyahu e da generalidade das forças de segurança israelitas. Os últimos meses foram marcados pela crispação entre a Administração Obama e Telavive, pelo crescimento dos colonatos e pelas gravíssimas repercussões do atentado da Mossad no Dubai, que vitimou um dirigente do Hamas numa acção que se fez valer de passaportes falsos de cidadãos de várias nacionalidades, incluindo cidadãos israelitas. O governo de Netanyahu chegou ao fim da linha e, do ponto de vista diplomático, é mais uma porta que se fecha a Israel.  

Maio 31, 2010 Posted by | Sem categoria | , | 1 Comentário

Os valores da UE e a luz sobre Israel

David Newman e Sharon Pardo publicaram ontem um excelente artigo no Jerusalem Post em que abordam o estado das artes da relação entre a UE e Israel. Em Borderline Views: Doomed to succeed, descrevem a forma como a Europa se uniu após a Segunda Guerra, criando um entidade política original em cuja matriz identitária se encontram o respeito pelos direitos humanos, a democracia e o Estado de direito. São estes os valores em que a UE se baseia para escolher os seus parceiros, e foi por eles que construiu com Israel uma relação priveligiada, assente em fortes laços económicos, científicos e culturais.

No entanto, recentemente a UE tem recebido fortes ataques em Israel devido ao financiamento de ONG da sociedade civil e de direitos humanos. Isto surge também uma altura em que o governo de Netanyahu se prepara para aprovar legislação que limita liberdade de expressão e as vozes críticas. A grande vantagem de Israel em relação a muitos outros Estados, e aquilo que lhe permite ser o que é, reside na força e na moderação da sua sociedade civil, grande parte da qual não aceita este tipo de medidas porque sabe que o estilo de vida de que beneficia se baseia precisamente naqueles valores. Por isso é que um grupo de professores da Universidade de Telavive se insurgiu contra Alan Dershowitz, professor da Harvard Law School que, no discurso de aceitação de um prémio naquela universidade israelita, atacou a esquerda e os universitários israelitas que criticam o seu país e em última instância apoiam o boicote académico de que o país tem sido alvo. E é também por isso que David Newman e Sharon Pardo terminam o seu artigo dizendo que

“(…) As long as Israel fails to move from sterile words about its commitment to the development of civil society to meaningful actions, it will remain morally and politically on the other side of Europe’s border. If, as is beginning to happen now, it moves to clamp down on civil society and human rights organizations, then it will not only be beyond the European border, but it will begin to exclude itself from the family of nations for whom democracy and free speech constitute the most basic of common values.”

Enquanto estas vozes se fizerem ouvir, haverá esperança.

Maio 12, 2010 Posted by | Sem categoria | , | Deixe um comentário

Agora sim, as relações Washington-Tel Aviv podem entrar nos eixos

No passado dia 17, a imprensa internacional noticiou que as autoridades israelitas estavam a confiscar os novos iPad. Não só não estavam a ser vendidos (a pré-venda começa apenas em Maio) como estavam a ser literalmente confiscados. Levantaram-se dúvidas acerca dos motivos para esta acção (interferência com as comunicações israelitas, segurança, etc), mas o Ministro das Comunicações esclareceu que a tecnologia do sistema de wireless dos iPad, de origem americana, é mais potente que a permitida na Europa e em Israel, e que portanto violava a lei israelita. Vários especialistas estranharam o argumento, uma vez que tal nunca havia sido alegado em relação a iPhones, Blackberrys ou outros dispositivos semelhantes de fabrico norte-americano. Para os habitantes de Tel Aviv, os maiores consumidores de gadgets que alguma vez vi, deve ter sido dramático, mas aparentemente a situação estará resolvida, e a sua utilização será permitida a partir de hoje. Um novo fôlego na resolução da crise Washington-Tel Aviv… 

Se, para além do fait divers, se quiser perceber qual o estado das relações entre os Estados Unidos e Israel, pode ler-se: 

Time for an Obama Trip to Israel?
President Obama sees the Israeli-Palestinian conflict as a national security issue. But badly strained U.S.-Israel relations mean progress is unlikely unless Obama travels to Israel on a trust-building mission, says Middle East expert Daniel Brumberg.

U.S.-Israel: Unsettled Relationship. Entrevista de Deborah Jerome a Elliott Abrahams, Steven Cook, Leslie Gelb, Daniel Senor e a Steven Simon.

Obama Recharged US – Mideast Policy – Walter Russell Mead, Henry A. Kissinger Senior Fellow for U.S. Foreign Policy

Abril 25, 2010 Posted by | Sem categoria | , | Deixe um comentário

Gaza ocupada?

Federico Sperotto, para o OpenDemocracy – Despite its withdrawal of forces on the ground in 2005, Israel continues a virtual occupation of the Gaza Strip and, in so doing, assumes the responsibilities of an occupying power under international law. Vale a pena ler o resto, relembrando que a UE tem um missão no terreno – cuja utilidade é paradigmaticamente nula.

Abril 13, 2010 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

Israel olha para a crise

Gideon ROSE: Do the Israelis view this as an attempt by the Obama administration to force Netanyahu to do something that will disrupt his coalition and make the government fall?

Ehud YAARI: Absolutely so. I think that the sense in Israel right now — and as I said, the prime minister is just about to land — is that Mr. Netanyahu and Barak — and it’s very important that he took with him the defense minister because he wanted to reassure President Obama that he is indeed talking about a two-state solution; that he is bringing his closest ally, the defense minister who was the man who made the proposals at Camp David 2000. But instead, he was presented by what is perceived at the moment, at least now, as a bend or break, with demands that are very difficult for him to accept.

Now, if the American moves are generated by the wish to see a different government in Israel, then I have to say that, number one, I don’t think that the Netanyahu coalition is about to disintegrate; and number two, I do not think that Kadima Party, Mrs. Livni, who seems to be viewed more favorably in Washington, that is going to join — to join the coalition anytime soon. And if it did — coalition (break down ) — and we go to early elections, I can assure you — and I’ll take the responsibility for that — that the right wing will win.

Entrevista para a Foreign Affairs de Gideon Rose a Ehud Yaari, Lafer International Fellow no Washington Institute for Near East Policy.

Abril 5, 2010 Posted by | 1 | , , , , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: As duas faces dos falhanços de Netanyahu

Como é sabido, as linhas com que Israel cose a sua política externa e de segurança são diferentes das de qualquer outro país, muitas vezes um pouco para lá daquilo que, desde há uns 150 anos para cá, se vem chamando de direito internacional. Por vários motivos, uns mais, outros menos justificáveis, a chamada ‘comunidade internacional’ apresenta um comportamento que, tanto do ponto de vista jurídico como, sobretudo, político, tem validado explícita ou tacitamente muitas das opções dos governos de Telavive. (Já agora, é engraçado chamar-se no estrangeiro ‘governo de Telavive’ quando todos os ministérios – exceptuando o da defesa – e o Knesset estão em Jerusalém, a verdadeira capital de Israel.) Mas nem todas as regras são eternas nem as relações são imaculadas, por mais fortes e inquebrantáveis que sejam

E é por isso que, em certas alturas, as coisas correm menos bem. Ontem, Israel sofreu mais dois fortes abalos no seu prestígio internacional, duas afrontas protagonizadas por dois dos seus aliados mais importantes. O Reino Unido expulsou um diplomata israelita por suspeitas de ser um dirigente da Mossad e de ter estado envolvido na falsificação de passaportes britânicos utilizados no assassinato no Dubai de um dirigente do Hamas (Miliband foi bem explícito e bem duro na retórica), há umas semanas atrás, e a reunião Obama – Netanyahu, segundo o New York Times, aparentemente não contribuiu para resolver a tensão surgida nos últimos dias entre os dois grandes aliados. Netanyahu está agora a colher os “frutos diplomáticos” das sementes que foi criando ao longo de um ano de Governo, e parece ficar um pouco isolado relativamente a Londres e Washington. Agora, saber se isso o preocupa ou não é outra questão…  

Março 24, 2010 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

Geografia da expansão dos colonatos

No passado mês de Novembro, a Foundation for the Middle East – uma das instituições cujas publicações estão na lista de leituras obrigatórias – publicou um mapa com os planos de expansão dos colonatos israelitas até 2015 e 2020, que prevêm a construção de 14.123 casas em território palestiniano, próximo da fronteira com Israel. Não tenho números acerca da média de elementos por agregado familiar nos colonatos, mas sei, por experiência própria, que a densidade populacional (judaica) nos colonatos é bem superior à do restante território israelita, uma vez que muitos colonos vestem a pele de pioneiros missionários para os quais a demografia é uma arma. Com isto quero dizer que estas casas corresponderão a pelo menos 50.000 novos colonos israelitas nos territórios da Palestina.

Trago agora este mapa a este espaço uma vez que ali, em Novembro, estavam já previstas as 1600 novas habitações de Ramat Shlomo, aquelas cuja construção aparentemente esteve no início da tensão israelo-americana. Faço esta nuance porque os anúncios de expansão dos colonatos são usuais desde que Netanyahu chegou ao poder e terminou com a hipocrisia do anterior Governo, que clamava que havia congelamento dos colonatos e depois era ver as máquinas a trabalhar sem parar. Reitero o que disse no post anterior acerca deste tema: a Administração Obama assume agora uma nova linha de ruptura com Netanyahu porque decidiu estrategicamente elevar a retórica, e não porque se sentiu especialmente insultada pelo anúncio de expansão de colonatos – expansão esta que, como se vê, estava prevista desde há vários meses.

Na parte direita do mapa vê-se o colonato de Ma’ale Adumim. Este é um dos destinos obrigatórios das visitas que organizações israelitas de direitos humanos promovem destinadas a jornalistas e diplomatas estrangeiros, e que os leva a visitar a geografia da expansão dos colonatos. Visitei Ma’ale Adumim e vi uma cidade de 50 000 pessoas, com escolas, quartéis de bombeiros, shoppings, cinemas, piscinas, e jardins verdejantes rodeados de terra árida. Olha-se para fora do colonato e vê-se uma paisagem quase lunar, com terra seca, montes, e mais nada. Quem acha que os colonatos serão desmantelados mais cedo ou mais tarde numa solução definitiva nunca viu Ma’ale Adumim.

Março 22, 2010 Posted by | 1 | , , , , , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Surto de violência em Israel

A actual situação de tensão entre Israel e palestinianos, por um lado, e entre Israel e os EUA, por outro, tem vindo a ser cozinhada desde há ano e meio, desde o surto de violência protagonizado pelos colonos israelitas e que os opôs tanto aos palestinianos como às próprias forças de seguranças israelitas. Já na altura escrevi, num paper para o CEPESE da Universidade do Porto, que estas acções colocavam o Estado judaico perante um desafio ao Estado de direito e ao primado da lei. Nesse teste, Israel chumbou. Netanyahu e o seu governo de coligação com extremistas mais radicais do que Bibi, eleitos alguns meses depois, têm feito o resto. É  provável que, com Livni, a situação fosse diferente.

O quadro actual é formatado por duas ideias basilares: por um lado, a contínua expansão de colonatos israelitas está a fazer transbordar a ira dos palestinianos e, como já tantas e tantas vezes foi dito, enquanto este movimento persistir, não há sequer miragem de processo de paz. É uma contradição em si mesma. Por outro lado, a  tensão com os Estados Unidos parece chegar do facto de Obama e Hillary Clinton estarem a permitir que se perceba que perceberam que não têm em Netanyahu um parceiro credível para negociar. A escalada de retórica da parte de Washington surge agora por, com o Vice Joe Biden em Israel em viagem e tentativa de relançamento das negociações, persistirem os anúncios de que a expansão dos colonatos irá continuar, desta feita com mais 1600 casas em Ramat Shlomo. Washington considerou este anúncio um insulto, mas a verdade é que insultos destes há todos os dias. Aguarda-se a posição da Administração Obama neste que é, até agora, o maior desafio colocado perante si no que respeita ao seu empenho na resolução do problema israelo-palestiniano. Netenyahu terá percebido a fraqueza de Obama no que concerne ao conflito e foi esticando a corda. A verdade é uma: se nos últimos anos não houve senão retrocessos, a evidência empírica aponta para a necessidade óbvia de se mudar a abordagem.

As hipóteses de haver uma escalada de tensão ao ponto de originar uma terceira intifada serão maiores se houver, também, uma escalada de retórica e a adopção de determinadas medidas por parte da Autoridade Palestiniana. Se há facções palestinianas interessadas neste cenário, outras há para quem só o cenário actual é conveniente. A Fatah saberá que a violência potencia o extremismo e, por isso, beneficia em última instância o Hamas. E é nesta balança que os seus líderes terão de actuar, sendo certo que qualquer decisão tomada terá implicações decisivas na política da região.

(corrigido)

Imagem: UPI.com

Março 16, 2010 Posted by | 1 | , , , , , , , , | Deixe um comentário

Mossad no Dubai, ou “amigos, amigos, segurança à parte”

Como de costume, Der Spiegel apresenta a mais completa e interessante versão acerca do assassinato selectivo de Mahmud al-Mahbouh, dirigente do Hamas morto no Dubai por uma equipa de agentes da Mossad. Para além da descrição minunciosa de todos os passos dos agentes, e do desenrolar do processo de tomada de decisão antes de cada operação da secreta israelita, o artigo coloca muitas questões interessantes. Para além da perplexidade óbvia pela utilização descarada de passaportes de países com os quais Israel mantém excelentes relações diplomáticas (Reino Unido, Irlanda, França, Estados Unidos e Austrália), é interessante verificar que este assassinato surge num momento em que o Bundesnachrichtendienst,  serviços secretos alemães, está envolvido numa negociação entre israelitas e palestinianos tendo em vista uma troca de prisioneiros (entre os quais, presumivelmente, se encontra Gilad Shalit). Esta acção no Dubai demonstra, se necessário fosse, que quando surge alguma núvem de ameaça  à segurança de Israel, tudo o resto fica para trás. E quando digo tudo, é mesmo tudo.

Mas a questão principal neste caso talvez seja o roubo de identidades de cidadãos israelitas: alguns dos agentes entraram no Dubai usando passaportes de cidadãos israelitas, colocando em causa a sua reputação, o seu bom-nome e, em última instância, a sua própria segurança. Trata-se de uma contradição difícil de perceber, que faz levantar um outro conjunto de questões. Terá esta sido uma acção de agentes duplos eventualmente ao serviço de outros serviços secretos, destinada a responsabilizar a Mossad? Seria o dirigente do Hamas um alvo tão precioso que justificou todos os riscos corridos nesta operação (incluindo a invitabilidade de os agentes serem identificados pelas câmaras de videovigilância no hotel)? Ou tratar-se-á “apenas” de um grave falhanço dos serviços secretos israelitas, que se deve juntar a vários outros surgidos ao longo das últimas décadas? De qualquer forma, por muito que algumas destas questões possam nunca vir a encontrar resposta (pelo menos para o exterior), é um assunto que vale a pena continuar a acompanhar. 

Fevereiro 27, 2010 Posted by | 1 | , , , | 3 comentários

A visão negra

Chamo a atenção para um artigo de Charles Grant chamado “Israel’s Dark Vision of the World“, publicado pelo director do Centre for European Reform no blog do Guardian. Já tem dois meses, mas naturalmente mantém a actualidade. Todo ele é interessante, mas aqui reproduzo o trecho relativo à União Europeia e à sua actuação em relação a Israel.

“Could the EU, Israel’s top trading partner, and the biggest provider of aid to the Palestinian Authority, put pressure on Israel? It was planning to offer an “enhanced agreement” that would establish regular EU-Israel summits, and give Israel the right to take part in a range of EU programmes. But earlier this year the EU said it would hold up the agreement until Israel did more to alleviate the plight of Gaza. This conditionality, which annoys Israel’s leaders, might be more effective if the EU increased its offer. Why not tell the Israelis that if they forge a peace deal with the Palestinians, they could join the European Economic Area, giving Israel – like Norway and Iceland – full access to the EU’s single market?

But for now, the Europeans’ divisions over how to handle Israel weaken their credibility as a partner for it. For example earlier this month, when the UN General Assembly debated the Goldstone report – which had accused Israel of war crimes in Gaza – the EU split three ways: the Czech Republic, Germany, Italy and the Netherlands were among those voting with the US to reject the report, Britain and France led a large group of member-states into abstention, and a few others, including Ireland, Portugal and Cyprus, voted for the report.”

Janeiro 29, 2010 Posted by | 1 | , , | Deixe um comentário

“Os senhores vierem até aqui porque nós dissemos que podiam mas agora não vão poder entrar”

Uma delegação de nove eurodeputados (de vários partidos e nacionalidades) que integram a delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Conselho Legislativo Palestiniano foi anteontem proibida de entrar em Gaza pelo governo israelita, umas três horas após este ter-lhes concedido autorização para entrar. Motivo? O de sempre: questões de segurança. Dá-se é a coincidência de neste espaço de três horas, lá longe, em Bruxelas, os Ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, reunidos em Conselho, terem defendido – uma vez mais – o estabelecimento de um Estado palestiniano nas fronteiras de 1967 e o fim da expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia – incluindo, naturalmente, Jerusalém Oriental (ver aqui as conclusões do Conselho). Imaginar a postura do governo israelita a tomar esta decisão, perfeitamente indiferente aos europeus, tentar visualizar a cena em que um representante do governo israelita vem dizer à delegação que, afinal, vieram de Bruxelas a pensar que iam entrar em Gaza mas já não iam entrar, é um esforço necessário para começar a tentar compreender a psique dos governantes israelitas. É uma cena típica de mais.  

Foto retirada de panoramio.com.

Dezembro 10, 2009 Posted by | 1 | , , , , | 1 Comentário

Realidade e ficção II

As origens do receio israelita relativo a actividade nuclear por parte da Síria remontam ao início do consulado de Bashar al-Assad, presidente sírio desde Julho de 2000. As notícias acerca de reuniões suas com delegações norte-coreanas de alto-nível, no entanto, e de acordo com a história do Der Spiegel, não terão levantado grandes preocupações até 2004, data em que a norte-americana National Security Agency detectou um enorme fluxo de comunicações entre Pyongyang e um ponto localizado no deserto sírio. Uma vez dado o alarme, seria tempo de Telavive actuar.

Aparentemente, Israel terá decidido consultar-se com os seus congéneres britânicos, justamente numa altura em que um oficial do Governo sírio, seguido pela Mossad desde há algum tempo, se alojava em Londres. Um descuido seu permitiu que fosse instalado no seu computador portátil uma aplicação informática que revelou plantas, mapas e sobretudo fotos do complexo de Al-Kibar (o tal ponto no deserto), que revelavam actividades nucleares.

Em 2007, Ali-Reza Asgari, antigo líder da Guarda Revolucionária Iraniana no Líbano, nos anos 80, e ex-Vice Ministro da Defesa Iraniano até 2005, corria risco de vida. Afastado do poder após a eleição de Ahmedinejad, tinha subido a retórica relativamente a alguns apoiantes do novo Presidente iraniano, acusando-os de corrupção, e tentava agora novamente refugiar-se no estrangeiro, após duas tentativas mal sucedidas, em 2006. E estava disposto a colaborar com a CIA e a Mossad. Entre muitas informações preciosas, terá dito que Teerão tinha um plano B: para além das instalações de Natanz, onde estavam a enriquecer urânio com conhecimento dos EUA e de Israel, estavam a financiar a construção de uma instalação na Síria, num projecto realizado em parceria com os norte-coreanos. Era a confirmação que faltava.

(continua)   

Novembro 26, 2009 Posted by | 1 | , , , , , | Deixe um comentário

Realidade e ficção

Em “Mossad: Os Segredos da Espionagem Israelita”, Victor Ostrovsky, ex-oficial do exército israelita e ex-agente da Mossad, conta com detalhes arrepiantes a teia criada pelos serviços secretos israelitas para recolher informações acerca do complexo nuclear iraquiano de Ozirak, perto de Bagdad. O enredo criado levou as investigações até Paris e as informações recolhidas junto de um cientista iraquiano, Butrus Eben Halim, permitiram localizar com total detalhe o complexo, e contribuiram para que a arriscada “Operação Esfinge”, executada em 7 de Junho de 1981, fosse bem sucedida. Aqui, a realidade supera a ficção em detalhe, imaginação e suspense.

Mas também se sabe que esta operação foi apenas uma das muitas acções secretas que Israel leva a cabo para prosseguir os seus objectivos estratégicos. No Expresso desta semana, Henrique Cymerman levanta o véu sobre o ataque israelita a um complexo nuclear sírio em 2007, do qual muito pouco se sabia para lá da especulação. Aparentemente, a instalação síria estava a ser financiada por Teerão para servir de reserva, para que um eventual ataque israelita ou norte-americano não comprometesse os avanços do programa nuclear iraniano.

(continua)  

Novembro 25, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

Netanyahu e o braço-de-ferro

Muito boa a análise de Alexandre Guerra à questão da construção de 900 novas casas em Jerusalém Oriental. Netenyahu demonstra que, diplomaticamente, irá fazer valer as suas pretensões, independentemente da vontade de Washington; e confirma-se que Obama terá de se empenhar ao mais alto nível para conseguir avançar nas negociações de paz. Como Akiva Eldar escreve hoje no Haaretz, Netanyahu parece pressentir a fraqueza de Obama em questões relacionadas com o processo de paz, e é isso que tem permitido levar tão longe o braço de ferro com Washington. Obama terá de se envolver pessoalmente no processo de paz com uma profundidade superior à demonstrada até agora – só assim voltará a colocar Washington com um ascendente sobre Israel. 

Novembro 18, 2009 Posted by | 1 | , , , , | 1 Comentário

As núvens perpétuas do conflito

O Haaretz online noticia hoje que, apesar da objecção dos Estados Unidos, Israel pretende contruir mais 900 casas nos territórias da Cisjordânia. Pode ser interessante que os EUA, agora, se manifestem contra a expansão dos colonatos – mas a verdade é que isso, na prática, ainda não vale de nada.

Por outro lado, a União Europeia veio demarcar-se de apoiar uma declaração unilateral de independência por parte da Autoridade Palestiniana. Carl Bildt, chefe da diplomacia sueca, presidência em exercício da UE, veio dizer que, do ponto de vista diplomático, as atenções da UE estão concentradas no apoio a Washington nas suas tentativas de retomar negociações com ambas as partes. É bom que a UE não repita o erro ocorrido no Kosovo.

Hoje também a UE veio mostrar-se extremamente preocupada com a situação humanitária em Gaza, chamando uma vez mais a atenção para a necessidade de criar condições para a reconstrução de estruturas e para a recuperação económica no território.

Os dias passam, os anos passam, e não se vê uma simples luz ao fundo do túnel.  

 

Foto tirada a uma pintura de parede em Acre.

Novembro 17, 2009 Posted by | 1 | , , , | Deixe um comentário

No terrorismo, o tamanho conta II

Raphael Cohen-Almagor, da Universidade de Hull, ainda na mesma conferência:

“Se houver um atentado em Israel e morrerem duas pessoas, o Governo pode não reagir e apenas elevar o nível da retórica. Mas se morrerem 20, haverá uma resposta, de certeza absoluta. É a política dos números”.

Size matters.

Novembro 2, 2009 Posted by | 1 | , | Deixe um comentário

ANÁLISE :: Irão nuclear, Israel e os Estados Unidos

Obama - NetanyahuHá mais de um ano que a principal linha de actuação da política externa israelita é enfatizar a ameaça nuclear iraniana e, assim, alastrar a percepção da ameaça a outros países, de modo a envolvê-los nessa “sua” luta. Claro que esta luta, em rigor, não é só sua, mas é também claro que em mais lado nenhum do mundo a percepção da ameaça é tão latente. A percepção é maior, mas será a ameaça, em si, também maior?

Ahmedinejad tem feito a sua parte neste processo de crescimento de tensão. As percepções de ameaça são fenómenos sociais muito complexos, e em Israel são extremamente exacerbados – mas com mais justificação do que por vezes se faz crer. Em “1967: Israel, the War and the Year that Transformed the Middle East”, Tom Segev relata de forma impressionante o clima vivido em Israel desde os finais de 1966 até ao início de Junho de 1967, às vésperas da Guerra dos Seis Dias. Era uma atmosfera de medo socialmente transversal, com um crescimento progressivo que fez com que, nos primeiros dias de Junho desse ano, o ataque preventivo israelita fosse já mais provável do que o ataque dos vizinhos árabes. Nestes processos de escalada, uns embarcam, outros não.

Netanyahu tem tentado convencer Obama da ameaça iminente que um Irão nuclear representa. Obama sabe disso, mas as soluções que adopta são diferentes das que Netanyahu deseja. Mas se fosse outro o Presidente americano? Em que ponto da escalada de tensão estaríamos agora, quando o tempo passa e Teerão avança no processo de nuclearização?  A avaliação das posturas dos dois líderes vai para além da frase da praxe “o futuro o dirá” – porque as atitudes de um líder moldam os acontecimentos. Esperemos que Obama esteja certo.

Foto: Haaretz,  aquando da visita de Netanyahu à Casa Branca, em Maio passado.

Outubro 16, 2009 Posted by | 1 | , , , , , | Deixe um comentário

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