Tratados

Ainda os pressupostos de Oslo

INSSQuem procura apenas uma visão equidistante e (pretensamente) independente do conflito israelo-palestiniano não lê as publicações do Institute for National Security Studies, da Universidade de Tel Aviv – isto apensar de ter sido considerado pela Foreign Policy um dos 5 think tanks mais influentes do Médio Oriente. Mas conhecer os argumentos de ambos os lados (ainda que expostos em separado) é importante para se poder formar o nosso próprio juízo.

Uma das suas últimas publicações, Oslo Revisited: Are the Fundamental Assumptions Still Valid?, apresenta, todavia, um conjunto plausível e honesto de explicações para não-aceitação, por parte da Autoridade Palestiniana, da proposta de paz feita pelo ex-Primeiro-Ministro Olmert. Por muitos considerada uma proposta aceitável (literalmente), baseava-se sobretudo na admissibilidade de uma soberania internacional sobre a Cidade Velha de Jerusalém (onde se encontram os locais sagrados do Cristianismo, do Judaísmo e do Islamismo), da transferência, para a Autoridade Palestiniana, de entre 95,3 a 95,7% dos territórios ocupados, e da criação de um canal de ligação entre a a Cisjordânia e Gaza. A proposta não admitia o direito de retorno – mas quem já esteve em Israel sabe que isso é literalmente impossível. Neste mesmo instituto foi-me dito que, nos momentos que requerem uma tomada de decisão pragmática e impopular, sucessivos líderes palestinianos recuam perante a vertigem da resolução do problema.

Cinicamente, oficiais israelitas disseram-me igualmente que, para as lideranças palestinianas, a resolução do processo de paz implicaria um abandono dos palestinianos à sua sorte, o término dos rios de dinheiro internacional e o consequente fim de uma certa mordomia. Isto não subscrevo. Neste momento, um Estado palestiniano é social e economicamente inviável – mas não pode deixar de ter a oportunidade de superar essa condição por imposição israelita.  

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Setembro 2, 2009 Posted by | 1 | , , , , | Deixe um comentário

Jerusalem, Washington

DSC06067Junto à Praça do Município, em Jerusalém, encontra-se este mapa gravado numa parede; um mapa-mundi que representa o mundo conhecido de então, com Jerusalém ao centro. Se hoje a Europa é o eixo, se em tempos era a China a ocupar esse lugar, também Jerusalém pôde reivindicar esse estatuto. E, de certa forma, ainda pode. Netanyahu foi a Washington dizer isso mesmo a Obama, com Teerão no pensamento; e é provável que ouça o mesmo acerca da importância de todas as questões relacionadas com a região, mas com uma perspectiva diferente. Obama sabe que, depois do Iraque em 2003, já basta de precipitações naquela zona. E sabe também que, sem um Estado palestiniano viável, não há, nem haverá nunca, uma paz duradoura na região. É por isso que a nota dominante da posição americana para este encontro com o Primeiro-Ministro israelita se relaciona com o processo de paz, e não com uma ofensiva contra o Irão.    

Maio 18, 2009 Posted by | Sem categoria | , , , , , | Deixe um comentário

   

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