Tratados

Passaportes falsos, vergonha a sério

Tinha dito aqui que o caso do assassinato do agente do Hamas no Dubai por agentes da Mossad era grave demais para ser ignorado. As consequências continuam a verificar-se publicamente todas as semanas. Em Varsóvia, ontem foi levado a tribunal Uri Brodski, alegado membro da Mossad envolvido naquele caso. Depois da Irlanda, Austrália e Reino Unido (pelo menos), que vêem na gravidade do caso a legitimação para a expulsão de diplomatas (como se fazia antigamente), as teias deste caso vergonhoso chegam à Polónia – mais um país da UE. Se tudo isto é público, imagino o que não seja.

Ler mais aqui – Poland to extradite alleged Mossad agent tied to Dubai killing e Alleged Mossad agent may appeal extradition over Dubai hit

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Julho 8, 2010 Posted by | Sem categoria | , , , | Deixe um comentário

Mossad no Dubai, ou “amigos, amigos, segurança à parte”

Como de costume, Der Spiegel apresenta a mais completa e interessante versão acerca do assassinato selectivo de Mahmud al-Mahbouh, dirigente do Hamas morto no Dubai por uma equipa de agentes da Mossad. Para além da descrição minunciosa de todos os passos dos agentes, e do desenrolar do processo de tomada de decisão antes de cada operação da secreta israelita, o artigo coloca muitas questões interessantes. Para além da perplexidade óbvia pela utilização descarada de passaportes de países com os quais Israel mantém excelentes relações diplomáticas (Reino Unido, Irlanda, França, Estados Unidos e Austrália), é interessante verificar que este assassinato surge num momento em que o Bundesnachrichtendienst,  serviços secretos alemães, está envolvido numa negociação entre israelitas e palestinianos tendo em vista uma troca de prisioneiros (entre os quais, presumivelmente, se encontra Gilad Shalit). Esta acção no Dubai demonstra, se necessário fosse, que quando surge alguma núvem de ameaça  à segurança de Israel, tudo o resto fica para trás. E quando digo tudo, é mesmo tudo.

Mas a questão principal neste caso talvez seja o roubo de identidades de cidadãos israelitas: alguns dos agentes entraram no Dubai usando passaportes de cidadãos israelitas, colocando em causa a sua reputação, o seu bom-nome e, em última instância, a sua própria segurança. Trata-se de uma contradição difícil de perceber, que faz levantar um outro conjunto de questões. Terá esta sido uma acção de agentes duplos eventualmente ao serviço de outros serviços secretos, destinada a responsabilizar a Mossad? Seria o dirigente do Hamas um alvo tão precioso que justificou todos os riscos corridos nesta operação (incluindo a invitabilidade de os agentes serem identificados pelas câmaras de videovigilância no hotel)? Ou tratar-se-á “apenas” de um grave falhanço dos serviços secretos israelitas, que se deve juntar a vários outros surgidos ao longo das últimas décadas? De qualquer forma, por muito que algumas destas questões possam nunca vir a encontrar resposta (pelo menos para o exterior), é um assunto que vale a pena continuar a acompanhar. 

Fevereiro 27, 2010 Posted by | 1 | , , , | 3 comentários

   

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